Time coleciona feitos sob o comando de Fábio Carille, mas vê dívida aumentar cada dia mais.

Sucesso dentro de campo, o Corinthians não tem muito o que comemorar quando olha para seu balanço financeiro. Ao contrário. A situação não para de piorar e a dívida total do clube já é de R$ 472 milhões. Só neste ano o déficit aumentou em R$ 46,5 milhões e a tendência o quadro se agravar.

O clube tem atrasado pagamentos de luvas e comissões para empresários e chegou até a postergar, por alguns dias, o pagamento do salário dos atletas. A diretoria decidiu não negociar – por enquanto – seus principais jogadores, o que ajuda o técnico Fábio Carille, mas dificulta ainda mais as finanças. O clube não consegue arrecadar recursos relevantes de outras formas. Arrecadou apenas R$ 8,9 milhões na venda de atletas até junho. No ano passado, o valor foi de R$ 144 milhões.

A falta de recursos faz com que algumas negociações fiquem emperradas, como as de Pablo e Emerson Santos. O Corinthians acertou com o Bordeaux a compra de Pablo, mas ofereceu parcelar cerca de R$ 3 milhões referentes à comissão do empresário do atleta em 54 prestações. O agente esperava receber a quantia à vista ou, no máximo, até o fim do mandato do presidente Roberto de Andrade, que deixa o cargo em fevereiro do ano que vem. Por isso, criou-se o impasse.

Emerson Santos tem contrato com o Botafogo até dezembro e o clube carioca quer uma compensação financeira para liberá-lo antes. O Corinthians tenta emprestar um jogador ou conseguir a liberação gratuita.

Durante o ano, outros empresários também tiveram problemas com o clube. As comissões do goleiro Walter e do volante Gabriel, por exemplo, estão sendo pagas com atraso. No dia 7 de julho, Roberto de Andrade confirmou ao Estado que o clube tinha dívidas com alguns agentes.

“Tivemos atraso de salário por seis dias e não atrasamos direitos de imagem em nenhum dia, porque acabamos com isso no Corinthians. Jogadores recebem pela CLT. Sim, de fato, existe atrasos no pagamento de luvas e comissão para os que chegaram agora, como o Gabriel. Mas estamos conversando e negociando as dívidas. Não queremos que isso aconteça, mas temos que saber lidar com esse problema”, disse.

Renda perdida. Algo já esperado, mas que impacta nas contas, é o fato de a bilheteria em jogos na arena não chegar aos cofres alvinegros. Todo o valor vai para o fundo criado com o objetivo de pagar o estádio.

Desde a fundação da arena de Itaquera, em 2014, mais de R$ 123 milhões de renda líquida foram direto para a quitação da obra. Neste ano, foram arrecadados cerca de R$ 23 milhões nos jogos em casa.

Outro renda que poderia ajudar as finanças seria a de patrocínio master, mas o clube não consegue achar parceiros que paguem o que clube considera aceitável. Em abril, a Caixa Econômica Federal deixou de exibir sua marca no espaço nobre da camisa e R$ 30 milhões anuais pararam de entrar no caixa. O clube e o banco chegaram a negociar a renovação, mas o Corinthians não aceitou receber menos pelo espaço.

A diretoria de marketing tem conversado com algumas empresas, mas no momento não há nenhuma que esteja próxima de patrocinar a camisa alvinegra. O clube, inclusive, firmou parceria com a Octagon, empresa que tem o ex-atacante Ronaldo Fenômeno como sócio, com o objetivo de buscar parceiros. Recentemente, algumas empresas firmaram patrocínios, mas são valores relativamente pequenos.

Assim, a maior renda obtida até junho foi de R$ 84,5 milhões, vinda da cota de TV. No total, o futebol já deu um prejuízo neste ano de R$ 17,8 milhões, quase o mesmo valor do déficit causado pelo clube social e pelo esporte amador, que é de R$ 17,6 milhões.

Uma das metas de Roberto de Andrade nesta temporada era diminuir as despesas do clube, algo que tem conseguido de forma bem discreta. No futebol, ele gastou até o meio do ano R$ 112 milhões, enquanto em todo o ano de 2016 o valor foi de R$ 299,5 milhões. No clube social e nos esportes amadores, o valor gasto até junho é de R$ 22,7 milhões; no ano passado foi de R$ 49,1 milhões.

Se for campeão brasileiro, o Corinthians vai receber da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) R$ 20 milhões como premiação.