Por Floresta News
Publicado em 26 de janeiro de 2026 às 00:10H

A morte de Maria Luiza Rodrigues, de 11 anos, após contrair doença de chagas, preocupa as autoridades sanitárias devido o avanço da infecção na Região Metropolitana de Belém. A menina, moradora de Ananindeua, não resistiu após desenvolver insuficiência cardíaca, complicação considerada grave da enfermidade.
Conforme informações de pessoas próximas à família da criança, ela estava internada desde o dia 11 deste mês no Hospital Beneficente Portuguesa, no bairro do Umarizal, em Belém, onde exames laboratoriais confirmaram a infecção. O sepultamento ocorreu na tarde do sábado (24), em um cemitério particular.
Ainda conforme testemunhas, Maria Luiza teria consumido açaí em Ananindeua antes de ser diagnosticada com a doença. Um irmão da vítima, também criança, permanece hospitalizado e teve diagnóstico positivo para doença de chagas.
O caso se soma a um cenário considerado preocupante pelas autoridades locais. Em comunicado oficial, a Prefeitura de Ananindeua informou que o município já registra 37 casos confirmados da doença, além de três mortes. Segundo a Secretaria Municipal de Saúde (Sesau), a situação vem sendo monitorada de forma permanente, com adoção das diretrizes estabelecidas pelo Ministério da Saúde.
“Como resposta ao aumento das notificações, o município intensificou ações de vigilância e prevenção, com foco especial na cadeia produtiva do açaí. As fiscalizações envolvem equipes da Vigilância Sanitária e Ambiental, além de parcerias com a Casa do Açaí, a Secretaria Municipal de Meio Ambiente e a Polícia Municipal. O objetivo é reforçar orientações sobre higiene, manipulação e armazenamento do produto”, informou o município.
No âmbito estadual, a Secretaria de Estado de Saúde Pública do Pará (Sespa) esclareceu que os dados sobre novos casos e óbitos são consolidados a partir de notificações feitas pelos municípios em sistema próprio, com atualização semanal. A pasta informou ainda que tem promovido reuniões técnicas para fortalecer a investigação epidemiológica e ampliar medidas preventivas. A orientação à população é que pessoas com sintomas procurem, inicialmente, uma Unidade Básica de Saúde.
Além de Maria Luiza, outras mortes por Doença de Chagas foram registradas em Ananindeua. Entre elas está a do jovem Ronald Maia da Silva, de 26 anos. Conforme relato de familiares, ele começou a apresentar sintomas no início de dezembro de 2025 e buscou atendimento em uma Unidade de Pronto Atendimento do município e em prontos-socorros da capital.
Ronald foi internado no Pronto-Socorro da Augusto Montenegro no dia 27 de dezembro e morreu quatro dias depois, no dia 31.
Dados da Sespa mostram que em 2026, até agora, três casos da doença foram confirmados no Pará. Em anos anteriores, o estado registrou 466 casos e oito mortes em 2025; 494 casos e seis óbitos em 2024; 537 confirmações e três mortes em 2023; e 347 casos com cinco óbitos em 2022.