Por Floresta News
Publicado em 01 de fevereiro de 2026 às 00:33H

Os dados são do Ministério Público do Trabalho (MPT), que divulgou o balanço das ações realizadas ao longo do ano.
O Pará foi o quarto estado brasileiro com maior número de operações de combate ao trabalho escravo contemporâneo em 2025. Os dados são do Ministério Público do Trabalho (MPT), que divulgou o balanço das ações realizadas ao longo do ano.
No estado, 48 trabalhadores foram resgatados durante 13 operações realizadas em diferentes municípios paraenses. As fiscalizações integraram forças-tarefa nacionais que, em todo o país, promoveram 196 ações, resultando no resgate de 1.986 pessoas submetidas a condições degradantes de trabalho.
No ranking nacional, Minas Gerais liderou em número de operações, com 42 ações, seguido por São Paulo (22) e Rio Grande do Sul (15).
Pecuária concentra maior número de casos no Pará
As ações no Pará atingiram diferentes setores da economia, com destaque para a pecuária, área que concentra a maior parte das ocorrências de exploração de mão de obra em condições análogas à escravidão.
Entre os municípios onde houve registros estão Altamira, Anapu, Parauapebas, Xinguara, Rurópolis, Moju e Tailândia, além de outras localidades do estado.
Durante as inspeções, as equipes identificaram alojamentos improvisados, ausência de água potável, banheiros inadequados, alimentação precária e falta de equipamentos de proteção individual. Também foram constatadas práticas como jornadas exaustivas, servidão por dívida e trabalho forçado.
Indenizações e responsabilização de empresas
Além do resgate das vítimas, a atuação do MPT no Pará resultou na assinatura de 21 Termos de Ajustamento de Conduta (TACs), no ajuizamento de 11 ações civis públicas e no pagamento de mais de R$ 3,3 milhões em indenizações por danos morais individuais e coletivos.
Segundo a procuradora do Trabalho Silvia Silva, coordenadora regional da Conaete, o foco das ações na Amazônia também está na responsabilização de grandes empresas que se beneficiam direta ou indiretamente do trabalho escravo em suas cadeias produtivas.
Já o coordenador nacional da Conaete, procurador Luciano Aragão, alerta que a escravidão moderna não se restringe a áreas rurais isoladas, mas está inserida em cadeias produtivas que abastecem o consumo urbano, desde alimentos até produtos do dia a dia.
Capacitação e denúncias
O MPT informou ainda que vem ampliando ações de capacitação voltadas a gestores e servidores públicos para identificação e encaminhamento de denúncias. As formações já ocorreram em municípios como Xinguara, Marabá, Dom Eliseu, Redenção e São Félix do Xingu.
Denúncias de trabalho análogo à escravidão podem ser feitas de forma anônima e gratuita pelo Disque 100 ou pelo site do MPT PA-AP: www.prt8.mpt.mp.br.