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Belém é a capital com a pior média em estudo sobre calçadas

Por Dol
Publicado em 22 de setembro de 2019 às 17:41H

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No trecho de apenas um quarteirão, entre as travessas do Chaco e Humaitá, em Belém, a calçada localizada na avenida Rômulo Maiorana consegue reunir, em poucos metros, diversos empecilhos à mobilidade de qualquer pessoa: ausência de cobertura, lama, lixo e veículos estacionados. O cenário de caos, no bairro do Marco, é apontado pelo estudo Calçadas do Brasil 2019, desenvolvido pela organização Mobilize Brasil, que coloca Belém como a pior capital do Brasil em condições de acessibilidade.

O estudo foi realizado por uma rede de colaboradores que saiu às ruas das 27 capitais do país para fotografar, medir, avaliar e atribuir notas, em uma escala de dez a zero, para as condições de acessibilidade e caminhabilidade em áreas de grande circulação de pessoas a pé, como as próximas a hospitais, escolas, paradas de ônibus e prédios da administração pública.

Com média geral de 4,52, Belém teve a pior avaliação entre todas as capitais do país, ficando 2,41 pontos abaixo da primeira colocada, São Paulo, que obteve média de 6,93. Ainda assim, a organização Mobilize Brasil considera que o mínimo aceitável seria a nota 8, média não alcançada por nenhuma das capitais. “As cidades brasileiras foram, em sua maioria, construídas para carros”, aponta o coordenador do trabalho de campo da pesquisa em Belém, Leonard Jéferson Grala. “Vários estudos comprovam que quanto mais se constroem vias para carros, mais carros aparecem, então isso não resolve o problema de engarrafamento”.

Para que se pudesse ter uma visão geral da estrutura das cidades, Leonard aponta que foram escolhidos pontos de análise não apenas nas zonas centrais de Belém, mas também nas áreas periféricas da cidade. Segundo ele, que também é historiador, mestre em planejamento do desenvolvimento e membro do coletivo ParáCiclo, o estudo “é uma forma de a sociedade civil mostrar que estas são demandas urgentes, que constam nos planos diretores das cidades, por exemplo, e que têm que ser cumpridas pelo poder público porque interferem na acessibilidade e na forma como os pedestres vivenciam a cidade”.

Pedestres

Para quem necessita se deslocar a pé com frequência pela cidade, o péssimo desempenho apresentado por Belém não é uma surpresa. Tendo que desviar de poças de lama e se espremer para passar entre o muro de um imóvel e um veículo estacionado irregularmente na calçada da avenida Rômulo Maiorana, entre as travessas do Chaco e Humaitá, a pensionista Neusa Silva, 70 anos, lamenta que os pedestres não sejam respeitados na capital paraense. “O pedestre tem que passar por situações de risco e de humilhação por conta das condições das calçadas”.

Wagner Santana/Diário do Pará

O risco evidenciado por Neusa é confirmado pela empregada doméstica Eliete Costa, 47 anos. Impedida de transitar pelos calçamentos obstruídos e sem estrutura, por incontáveis vezes ela é obrigada a caminhar pela pista de rolamento das vias – destinada ao trânsito dos veículos – para conseguir seguir viagem a pé. “Se não for pra rua, não consegue andar”, considera. “A gente fica com medo de um carro bater, passa espremida, mas é o único jeito de se livrar desse problema”.

Wagner Santana/Diário do Pará

No mesmo trecho, mas já na avenida Almirante Barroso, o principal problema enfrentado pelos pedestres está na condição da cobertura do calçamento. Deteriorado em vários pontos, o concreto acaba formando pedaços de pedra e buracos que dificultam não apenas o caminhar, mas principalmente a circulação de cadeiras de rodas, por exemplo. Para as pessoas que detêm algum grau de deficiência visual, a interrupção abrupta do piso tátil em decorrência também da deterioração do piso, é outro problema grave.

Aos 33 anos de idade, o funcionário público Diego Nascimento tem condições de desviar dos buracos e pedras soltas, mas lamenta, sobretudo, pela dificuldade ainda maior enfrentada pelos idosos e pessoas com dificuldade de locomoção. “É muito atraso. Essas situações atrapalham, e muito, a mobilidade em uma cidade, principalmente da nossa população idosa ou que é especial”, considera. “Essa situação tinha que ter uma atenção maior do poder público”.

Da mesma forma, o marítimo Afonso Calandrini, 63 anos, avalia que uma medida urgente deveria ser adotada pelos órgãos ligados à mobilidade urbana. “Precisa melhorar, ter mais interesse da Prefeitura para que melhore as condições. É uma questão que a população precisa, então tem que ser olhado”.

Apesar da cobrança da população, o que o estudo Calçadas do Brasil 2019 evidenciou foi justamente a falta de condições de acesso e trânsito de pedestres em áreas próximas a prédios da administração pública. No caso de Belém, um dos locais avaliados foi o do entorno do Palácio Antônio Lemos, na Praça Dom Pedro I, casarão que abriga a sede da Prefeitura Municipal de Belém (PMB).

Na tarde da última quarta-feira (18), um dos problemas constatados era a obstrução das duas rampas que deveriam dar acesso à calçada do palácio. Veículos estacionados em frente à Prefeitura obstruíam as rampas impossibilitando que qualquer cadeirante pudesse subir.

Serviço

Caminhabilidade é um conceito que mede, quantitativa e qualitativamente, o quão convidativa uma rua, praça ou qualquer espaço público pode ser para os pedestres, cadeirantes e demais pessoas com dificuldade de locomoção.

Capitais com as piores médias de acessibilidade e caminhabilidade, segundo o estudo Calçadas do Brasil 2019.

1°- Belém – 4,52

2°- Fortaleza – 4,53

3°- Cuiabá – 4,79

4°- Salvador – 4,86

5°- São Luís – 4,89

6°- Teresina – 4,92

7°- Maceió – 5,04

8°- Macapá – 5,13

9°- Rio Branco – 5,28

10°- Porto Velho – 5,34

Fonte: Relatório Final – Calçadas do Brasil 2019

Médias por critério

Notas obtidas por Belém, segundo quatro principais critérios de avaliação

Sinalização – 2,42

Segurança – 3,51

Conforto – 3,84

Acessibilidade – 5,84

Fonte: Relatório Final – Calçadas do Brasil 2019

Avaliação 

Resumo das avaliações em quatro pontos principais

Acessibilidade: a calçada em si, incluindo a regularidade do pavimento, sua inclinação e largura, a existência de obstáculos e degraus, além da oferta de rampas de acessibilidade e faixas podotáteis

Sinalização para pedestres: presença de faixas de travessia, semáforos e sinais de orientação

Conforto para quem caminha: presença de mobiliário urbano, arborização e paisagismo, pontos de apoio ao pedestre, além da poluição acústica e atmosférica

Segurança para o pedestre: avaliações da velocidade do tráfego e segurança criminal.

Como a pesquisa foi realizada

Uma rede de colaboradores saiu às ruas das 27 capitais do país, entre os meses de março e julho deste ano, para avaliar as condições de acessibilidade e caminhabilidade em locais em que, habitualmente, registra-se grande circulação de pessoas a pé, como em áreas próximas a hospitais, escolas, mercados, terminais de transportes, edifícios da administração pública, praças e parques.

Os avaliadores visitaram, fotografaram, tomaram medições, e atribuíram notas de zero a dez para cada um dos 13 itens considerados na pesquisa: regularidade do piso; largura da calçada; inclinação transversal do piso; existência de barreiras e obstáculos; condições de rampas de acessibilidade; condições das faixas de pedestres; condições dos semáforos de pedestres; condições de mapas e placas de orientação; arborização e paisagismo; mobiliário urbano; poluição atmosférica; ruído urbano e segurança.

Por fim, essas notas foram ponderadas e tabuladas para a geração de dados sobre cada cidade e de todo o Brasil.

Fonte: Mobilize Brasil.

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