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Pesquisadores alertam para risco de queimadas em escala ainda maior no Pará

Por ORM
Publicado em 09 de junho de 2020 às 04:34H

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Pelos cálculos dos cientistas, se o ritmo acelerado de desmatamento continuar nos próximos meses, quase 9 mil km2 poderão virar cinzas no Pará (Ricardo Moraes / Reuters)

Pesquisadores do Instituto de Pesquisa Ambiental  da Amazônia (IPAM)  divulgaram, nesta segunda-feira (8),  uma Nota Técnica alertando  gestores públicos e sociedade em geral que uma área gigantesca na Amazônia está pronta para ser queimada – da qual 42% (4,5 mil km2) situam-se no Estado do Pará – gerando danos à floresta, animais e comunidades tradicionais e contribuindo para elevar casos de pessoas com problemas respiratórios da região em meio à pandemia da covid-19.

O IPAM divugou que o Pará tem quatro pontos de concentração de áreas desmatadas não queimadas. São eles: Arco do Fogo de Altamira/São Félix do Xingu; Transamazônia, de Medicilândia a Itaituba; Prainha. e Oriximiná e Novo Progresso e Castelo dos Sonhos. No alerta, os pesquisadores destacam que “uma área desmatada de pelo menos 4.500 quilômetros quadrados na Amazônia, equivalente a três  vezes o município de São Paulo, está pronta para queimar”. “Resultado da soma do que foi derrubado no ano passado e nos primeiros quatro meses  desse ano, e ainda não queimado, essa vegetação no chão pode virar  fumaça com a estação seca que começa em junho em mais uma  temporada de fogo intensa como observamos em 2019”.  “Se isso ocorrer, o número de internações por problemas respiratórios  pode aumentar expressivamente, pressionando ainda mais o sistema de  saúde da região, já duramente afetado pela covid-19”, destaca o IPAM.

Pelos cálculos dos cientistas, se o ritmo acelerado de desmatamento  continuar nos próximos meses, quase 9 mil km2 poderão virar cinzas, já  que a época mais intensa de derrubada e queima se inicia agora, com a  chegada do período seco na região.

Perdas
“Coibir as queimadas e o desmatamento neste ano, além de uma ação de  proteção ambiental, é também uma medida de saúde”, afirma o autor  principal da nota, o pesquisador Paulo Moutinho, do IPAM. A preocupação  reflete os dados do ano passado, quando os municípios que mais  queimaram na Amazônia viram o ar ficar 53% mais poluído, em média, em  relação a 2018.

Moutinho ainda pondera que “uma não ação dos poderes públicos na  prevenção do desmatamento e das queimadas poderá representar perdas  de vidas humanas para além das previstas com a pandemia”. “Precaução  é a palavra chave agora”, arremata.

Leitos
 Os pesquisadores ressaltam que, normalmente, anos assim cheios de fumaça levam centenas de pessoas para postos de saúde e hospitais da região. Se isso acontecer em 2020, observam, elas encontrarão leitos ocupados por infectados pelo coronavírus.

“Durante a temporada de fogo, extensas áreas da Amazônia têm  qualidade do ar pior que no centro da cidade de São Paulo devido às  queimadas. Isso tem forte efeito na saúde, especialmente em crianças e  idosos, que são as populações mais vulneráveis”, explicou o físico Paulo  Artaxo, da Universidade de São Paulo, que colaborou com o trabalho. 

“Como a poluição das queimadas viaja por milhares de quilômetros,  comunidades isoladas de índios respiram esta atmosfera insalubre, que é  muito acima dos padrões de qualidade do ar da Organização Mundial da  Saúde”, acrescenta.

Estados
 

”Quatro estados concentram 88% da área desmatada e não queimada:  Pará (com 42%) dos 4,5 mil km2, Mato Grosso (23%), Rondônia (13%) e  Amazonas (10%). Olhando com mais cuidado, onze regiões são  especialmente preocupantes. Elas devem ser consideradas como  prioritárias para ações de comando e controle, especialmente aquelas  planejadas pelo governo federal, assim como para o planejamento de  atendimento à saúde pelos governos estaduais.

O fogo é o próximo passo  no processo de conversão de uma floresta em outro uso da terra, como pasto, explica a diretora de Ciência do IPAM, Ane Alencar, que também 
assina a nota técnica. “Por isso, quando temos uma taxa de desmatamento alta na Amazônia, a relação com o aumento de focos de calor é direta. Foi o que vimos acontecer em 2019 e, infelizmente, se nada for feito, é o que deveremos ver em 2020, já que a derrubada continua num ritmo elevado”, finaliza Ane Alencar.

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