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Pará soma metade das 20 áreas protegidas mais ameaçadas pelo desmatamento na Amazônia

Por OLIBERAL
Publicado em 09 de junho de 2021 às 11:20H

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Conforme dados de monitoramento feitos entre fevereiro e abril deste ano, metade das 20 áreas protegidas mais pressionadas e ameaçadas pelo desmatamento na Amazônia Legal brasileira está localizada no Pará, aponta o balanço trimestral “Ameaça e Pressão”, publicado nesta terça-feira (8) pelo Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon). O foco do boletim é a análise do quadro de desmatamento em áreas protegidas da Amazônia.

Nesse mais recente balanço, o Imazon classifica como pressão o desmatamento que ocorre dentro das áreas protegidas e como ameaça o que acontece a até 10 quilômetros desses territórios. No topo do ranking dos dez territórios mais pressionados, ou seja, com ocorrências de desmatamento em suas áreas, está a APA Triunfo do Xingu, uma unidade de conservação estadual do Pará. O local teve três vezes mais ocorrências de desmatamento que o segundo colocado, a Terra Indígena Yanomami, que abrange porções dos estados do Amazonas (AM) e Roraima (RR).

Outras quatro áreas protegidas que estão em solo paraense também ficaram entre as dez mais pressionadas. São elas: Flona do Jamanxim, APA do Tapajós, APA do Lago de Tucuruí e TI Munduruku.

O Pará também teve metade das dez áreas protegidas mais ameaçadas – ou seja, com ocorrências de desmatamento a até 10 quilômetros de distância dos seus territórios. São elas: Flona do Jamanxim, TI Trincheira/Bacajá, Flona do Tapajós, APA do Lago de Tucuruí e TI Parakanã.

“Entre fevereiro a abril, 42% da APA Triunfo do Xingu apresentou ocorrência de pressão. Ela está localizada entre Altamira e São Félix do Xingu, dois municípios que apresentam intenso histórico de desmatamento, o que faz com que essa APA estadual sempre apareça no topo do ranking das mais desmatadas”, avalia Larissa Amorim, pesquisadora do Imazon.

Terra Indígena Mundukuru é alvo de garimpeiros


A análise que leva em conta apenas os territórios indígenas mostrou que a área mais pressionada pelo desmatamento no Pará foi a Mundukurú, que sofreu recentemente com ataques de garimpeiros ilegais. Isso motivou ordens judiciais de proteção ao local.

“As ocorrências de desmatamento dentro de terras indígenas se intensificaram nos últimos anos com o objetivo de extrair recursos naturais dos territórios, como madeira e minérios, e de exercer pressão para a redução de seus limites através de projetos de lei, legalizando as ocupações ilegais que ocorrem através do desmatamento”, explica o pesquisador do Imazon Antonio Fonseca.

Para contribuir com as políticas de combate ao desmatamento no Pará, o instituto também publicou, no final de maio, um relatório de recomendações ao Plano Estadual Amazônia Agora (PEAA). Assinado em parceria com outras seis instituições, o documento orienta, entre outros pontos, que o governo paraense inclua no plano metas relacionadas à ampliação da participação pública, geração de maior confiança para captação de recursos, gestão de unidades de conservação e reconhecimento de territórios quilombolas.

A redação integrada de O Liberal está entrando em contato com a Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Sustentabilidade do Pará (Semas) para repercutir o boletim. 

Relatório é atualizado a cada três meses 


relatório dos índices de ameaça e pressão de desmatamento em áreas protegidas (APs) é divulgado trimestralmente pelo Imazon. Para isso, o instituto cruza dados do seu Sistema de Alerta do Desmatamento (SAD), monitoramento mensal via imagens de satélites (incluindo radar), com células de 100 km² na Amazônia Legal. 

No boletim, são contabilizadas células com ocorrência de desmatamento que estão dentro de uma das áreas protegidas ou a até 10 quilômetros desses territórios. Quando a célula com ocorrência de desmatamento está dentro da AP, é classificada como pressão. Já se estiver a até dez quilômetros de distância, é classificada como ameaça.

O Imazon é um instituto de pesquisa sem fins lucrativos fundado há 30 anos em Belém. Composto por pesquisadores brasileiros, faz há mais de uma década o monitoramento e a divulgação de dados de desmatamento e degradação na Amazônia Legal. Os alertas podem orientar ações para reduções da destruição da floresta e promoção do desenvolvimento sustentável na região.

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