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Doação de leite materno: Brasil tem grande rede de bancos, mas doações estão longe do ideal

Por virgula
Publicado em 25 de outubro de 2017 às 11:29H

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Você sabia que, segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde), por hora, 40 bebês nascem antes do tempo no Brasil e necessitam da doação de leite materno para sobreviverem aos primeiros dias de vida?

E é aí que entram os bancos de leite e a boa ação de mães que doam para ajudar os bebês de outras mães. A cada 1 litro de leite doado é possível alimentar de 7 até 10 bebês prematuros em um dia. Hoje, no Brasil, existem mais de 200 bancos de leite humano espalhados por todo território nacional.

“O leite humano é o padrão ouro de alimentação para o lactente. Segundo a OMS, o aleitamento materno deverá ser exclusivo até os seis meses, posteriormente deve-se continuá-lo até os dois anos ou mais com alimentação completar saudável”, explica a Dra. Andrea Fernandes, médica coordenadora do banco de leite da Maternidade Leonor Mendes de Barros.

E em que casos as mães precisam recorrer à doação de leite para seus filhos? “Infelizmente as doações de leite humano ainda estão abaixo das necessidades das unidades neonatais”, explica a médica.

“Portanto, seguindo as orientações da Rede Brasileira de Bancos de Leite, priorizamos a distribuição do leite humano pasteurizado segundo os critérios: recém-nascido prematuro ou de baixo peso que não suga; recém-nascido infectado, especialmente com enteroinfecções; recém-nascido em nutrição trófica; recém-nascido portador de imunodeficiência; recém-nascido portador de alergia a proteínas heterológas; casos excepcionais, a critério médico ou do nutricionista.

Rede grande e complexa

“A Rede Brasileira de Bancos de Leite Humano é a maior e mais complexa do mundo”, afirma a Dra. Andrea. São 220 Bancos de Leite Humano com unidades em todos os Estados. Ela está incorporada na política pública do Ministério da Saúde e se consolidou como importante polo de apoio ao aleitamento materno. Em 2016, segundo dados da Fiocruz, foram realizados 2.052.378 atendimentos com 33.234 recém-nascidos beneficiados.

Tabela_Doadoras+Receptores
A conscientização da sociedade e dos profissionais de saúde sobre à importância da doação de leite humano vem melhorando ano a ano, porém, ainda está bem distante do que é considerado bom. “A única localidade que consegue atender toda demanda de leite humano pasteurizado é o Distrito Federal. No restante do país, o atendimento da demanda de leite humano pasteurizado das unidades neonatais ainda está longe do ideal. Nossa meta é conseguir atingir 100% da demanda das unidades neonatais e assim todo prematuro receberá o melhor alimento: o leite materno, e na falta dele, o leite humano pasteurizado”, explicou a médica.

“A doação de leite materno também contribui para a redução da mortalidade neonatal, problema que o Brasil vem enfrentando e superando ao longo dos últimos anos. A taxa de mortalidade infantil foi reduzida de 26,6 óbitos infantis por mil nascimentos em 2000 para 16,2 óbitos por mil nascimentos em 2010″, afirmou ainda.

“Assim como salvou a vida da minha filha, pode também salvar a vida de outro bebê”


Fabiana Regina Grosse dos Santos, 36 anos, também precisou usar o banco de leite. Professora de educação fisíca, sempre teve uma rotina muito saudável. Mas, ao engravidar, descobriu uma complicação chamada “bolsa rota”, em que a bolsa pode se romper parcialmente e a mulher ir perdendo líquido aminiótico sem que perceba. Assim, teve que recorrer à um parto de urgência.

“Raphaela nasceu prematura extrema, com 28 semanas e 5 dias. Foi um susto! Meu corpo não chegou a produzir leite suficiente para que eu conseguisse tirar na bombinha e pudesse oferecer a ela”, contou.

“O processo foi super tranquilo. Aceitei que, de início, minha bebê receberia leite de doadora, pois para o desenvolvimento dela na UTI neonatal era muito importante que ela recebesse leite materno.

Fabiana Santos também acabou doando leite. “Com a cabeça em ordem e ainda com a minha bebê na UTI neonatal, passei a tomar uma medicação que ajudou a descer o leite. Enfim, quando tivemos alta, deixamos na maternidade uma quantidade gigante de leite para doação”, explicou. “Assim como salvou a vida da minha filha, pode também salvar a vida de outro bebê”, finalizou.

Como doar?

Toda mãe que amamenta é uma possível doadora de leite humano. O leite doado é analisado, pasteurizado e submetido a rigoroso controle de qualidade pelos Bancos de Leite antes de sua distribuição aos lactentes internados nas unidades neonatais impossibilitados de receber o leite da mãe.

Para doar, basta entrar em contato com o banco de leite mais próximo da cidade ou ligar no Disque Saúde 136 ou entrar em contato com o banco de leite humano mais próximo do seu domicílio através do site www.rblh.fiocruz.br ou www.doeleitematerno.com.br.

“É importante salientar que toda doação de leite humano deve ser feita através de um banco de leite, pois o aleitamento materno cruzado é contraindicado no país”, alerta a Dra. Andrea Fernandes.

Portanto, se você pode doar, junte-se a essa causa! Não esqueça: o leite humano é aceito mundialmente como a primeira fonte de nutrição dos bebês, sendo um importante alimento para frear a taxa de mortalidade e ajudar a salvar a vida de prematuros.

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