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Dois mil brasileiros vão testar vacina de Oxford contra a covid-19

Por ORM
Publicado em 04 de junho de 2020 às 04:43H

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Vacina em teste contra o novo coronavírus (Dado Ruvic / Reuters)

A vacina contra a covid-19 que está sendo desenvolvida na Universidade de Oxford, no Reino Unido, será testada também no Brasil, em pelo menos 2 mil voluntários. Considerado um dos mais promissores, o imunizante já está na fase três de testes, a última, em que será averiguada a eficácia do produto. Das mais de 70 vacinas em desenvolvimento em todo o mundo, a britânica é a que se encontra em estágio mais avançado de desenvolvimento e é também considerada uma das mais promissoras. A expectativa é de que, se tudo der certo, a vacina receba o sinal verde das agências reguladoras antes do fim deste ano.

O Brasil é o primeiro país fora do Reino Unido a participar da testagem. Os testes serão coordenados pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). Serão mil voluntários em São Paulo e outros mil no Rio, os dois Estados que concentram a maioria dos casos. O País foi escolhido para participar do teste porque a epidemia ainda está em ascensão por aqui – diferentemente do Reino Unido – e o vírus está circulando ativamente na população. Preferencialmente, serão escolhidos profissionais de saúde na linha de frente do combate à doença. Os voluntários devem ter entre 18 e 55 anos e nunca terem sido contaminados pelo novo coronavírus.

O recrutamento dos voluntários deve começar entre a segunda e a terceira semana de junho. Metade dos voluntários receberá a substância candidata à vacina e a outra metade, um outro imunizante. Ninguém será informado sobre que produto está recebendo.

Cada um dos participantes será avaliado por até um ano. Como se trata de uma situação emergencial, resultados iniciais positivos podem acelerar o processo. “Até agora não houve nenhum problema de segurança com a vacina, que está na fase 3, para testar sua eficácia; é uma vacina extremamente promissora, que pode ser liberada para o uso ainda este ano”, explicou a imunologista Lily Yin Weckx, da Unifesp, que está coordenando o estudo no Brasil. “É uma honra participarmos da testagem de uma vacina que pode mudar o rumo da história mundial.”

A expectativa é de que, ao participar do teste, o Brasil ganhe alguma primazia no recebimento das primeiras doses do imunizante, no caso de o produto ser aprovado. Existe também a expectativa de que o País possa até mesmo participar, futuramente, da produção do imunizante em larga escala. “Isso não está acertado ainda, mas existe essa expectativa”, afirmou a reitora da Unifesp, Soraya Smali. “E o Brasil tem uma grande tradição na produção de imunizantes, tanto na Fiocruz, quanto no Instituto Butantã.”

A vacina é feita a partir de um vírus (adenovírus) atenuado da gripe comum que infecta macacos. Esse vírus serve de vetor para levar ao organismo humano uma cópia produzida em laboratório de uma proteína presente no novo coronavírus. A ideia é que o organismo começará a produzir anticorpos capazes de reconhecer e atacar o vírus verdadeiro em caso de uma infecção real.

O objetivo é testar a vacina em 10 mil pessoas nesta fase 3. Há outros países cuja participação está em processo de análise e aprovação. Os resultados desses testes serão primordiais para o registro da vacina no Reino Unido, previsto para o fim deste ano. Entretanto, o registro formal deve acontecer apenas após a conclusão dos estudos realizados em todos os países participantes.

Marco. Para Denis Mizne, diretor executivo da Fundação Lemann, organização que ofereceu os recursos (cujo montante não foi divulgado) necessários à realização de parte do estudo, “inserir o Brasil no panorama de vacinas contra a covid-19 é um marco importante para nós, brasileiros, e acredito que poderemos acelerar soluções que tragam bons resultados e rápidos”.

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