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UNESCO: 758 milhões de adultos não sabem ler nem escrever frases simples

Por UNESCO
Publicado em 18 de fevereiro de 2017 às 12:35H

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A baixa alfabetização afeta 758 milhões de adultos no mundo, dos quais 115 milhões têm entre 15 e 24 anos, segundo relatório da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) divulgado nesta semana (15) no Brasil. Em cerimônia de lançamento da pesquisa, Ministério da Educação apontou que, no país, ainda existem 13 milhões de analfabetos.

No Brasil, 13 milhões de pessoas são analfabetas. Foto: EBC

No Brasil, 13 milhões de pessoas são analfabetas. Foto: EBC

A baixa alfabetização afeta 758 milhões de adultos no mundo, dos quais 115 milhões têm entre 15 e 24 anos. Esse público não sabe ler nem escrever frases simples, o que afeta negativamente sua participação e desempenho em programas de educação para jovens e adultos (EJA).

A conclusão é do 3º relatório global da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) sobre Aprendizagem e Educação de Adultos. Lançado na quarta-feira (15), na sede do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP), o documento recebeu contribuições de 139 países que se disponibilizaram a participar da pesquisa da agência da ONU.

Dessas nações, 65% identificaram a falta de alfabetização como o principal fator que impede a aprendizagem e a educação de adultos de terem um impacto mais significativo sobre a saúde e o bem-estar de estudantes. Sessenta e seis porcento dos Estados-membros da UNESCO concordaram que iniciativas de alfabetização ajudam a promover valores democráticos, coexistência pacífica e solidariedade.

Outro problema identificado pelo relatório é a desigualdade de gênero: mulheres continuam representando 63% dos adultos com baixas habilidades de alfabetização e não têm as mesmas condições que os homens de ingressar em projetos de EJA.

Apesar deste cenário, a UNESCO aponta outro dado que descreve como “encorajador” — em 44% dos países pesquisados as mulheres participam mais da aprendizagem e educação de adultos do que os homens.

“É importante considerar que uma educação forte, com integração de jovens e adultos, em todos os temas, com a preparação voltada para os desafios do mundo de hoje, é um dos caminhos para se chegar aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas e da Agenda de Educação 2030”, afirmou a oficial de Programa do Instituto da UNESCO para a Aprendizagem ao Longo da Vida (UIL), Daniele Vieira, durante o lançamento.

No Brasil, são 13 milhões de analfabetos

Para a secretária de Educação Continuada, Alfabetização, Diversidade e Inclusão do Ministério da Educação, Ivana de Siqueira, o Brasil precisa continuar ampliando esforços em prol da alfabetização de jovens e adultos.

“Nós sabemos que ainda existem 13 milhões de pessoas analfabetas no país, o que demonstra o nível de desigualdade da nossa sociedade. Um número que revela que a educação foi apresentada de uma maneira que não conseguiu alcançar a todos no Brasil. Seja na forma como ela foi distribuída, sem enxergar as necessidades, como nas especificidades do nosso público”, disse.

Também presente na cerimônia de apresentação do relatório, o diretor de estatísticas o INEP, Carlos Eduardo Moreno Soares, apontou que nos ciclos finais da EJA, sobretudo no Ensino Médio, há uma quantidade significativa de alunos jovens, próximos dos 19 anos.

Segundo o especialista, esses estudantes buscam nessa modalidade de ensino uma maneira de concluir os estudos após reprovações sucessivas. Já nos níveis iniciais da EJA, a média de idade dos alunos é de 40 anos, segundo Soares.

Progressos na aplicação de marcos internacionais

O relatório da UNESCO avalia a implementação das recomendações do Marco de Ação de Belém, conjunto de orientações para políticas públicas sobre EJA. Adotado por Estados-membros da UNESCO, o marco foi o resultado da 6ª Conferência Internacional sobre Educação de Adultos — CONFINTEA VI.

“No âmbito global 75% dos países destacaram que houve uma melhora significativa nas políticas de educação de jovens e adultos desde 2009 quando o Marco de Ação de Belém foi acordado pelos Estados-membros. Na América Latina e Caribe esse percentual foi um pouco maior: 83% dos países na região reportaram que houve progresso”, afirmou Daniele.

Além disso, segundo a representante do UIL, 60% dos países participantes da pesquisa relataram aumentos gerais nas taxas de participação em programas de EJA no mesmo período.

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