Carregando...
Ao Vivo
Carregando...
Tucuruí, 26 de January de 2021
Sistema Floresta
SBT Ao Vivo

Terror brasileiro faz sucesso em festivais internacionais

Por ORM
Publicado em 05 de novembro de 2018 às 11:34H

Compartilhe:

Longa “O Animal Cordial” tem últimas exibições no Cine Líbero Luxardo.

Divulgação

Há um terror brasileiro que está ganhando o mundo. As Boas Maneiras, da dupla Juliana Rojas/Marco Dutra, ganhou páginas – e páginas – da prestigiada Cahiers du Cinéma. Morto Não Fala, de Dennison Ramalho, com Daniel de Oliveira como o homem que, contrariando o título, conversa com mortos, está tendo ótima aceitação em festivais internacionais. E, tem suas últimas exibições no Cine Líbero Luxardo, até o dia 7, às 16h, O Animal Cordial, de Gabriela Amaral Almeida. Não se iluda com o título. A sangrenta ficção da diretora é sob medida para desmentir a tese da cordialidade brasileira (e humana, em geral). O homem é um bicho tinhoso. Deem-lhe um revólver e ele sai atirando. Um facão e sai despedaçando.

Um restaurante, o dono, a atendente, um cliente solitário, um casal de metidos, o povo da cozinha – e assaltantes. Eles chegam ameaçando deflagrar uma onda de violência, mas são devorados por ela. Vira, de alguma forma, uma disputa de poder. Homens contra mulheres, uma certa ideia de masculino (Inácio, o personagem de Murilo Benício), uma certa ideia de feminino (Sara, Luciana Paes) e Djair, o chef, o cozinheiro gay, Irandhir Santos, que concentra os dois, masculino e feminino. Prepare-se para o banho de sangue, mas a diretora faz uma observação surpreendente, curiosa até. “É um filme de amor”. Como, se todo mundo fica se matando lá dentro? “Nem todo mundo. Você veja que num terror tradicional, o povo da cozinha seria o primeiro a ser sacrificado. Poupamos, conscientemente, negros e nordestinos. E se há um conflito de gênero, de poder, é gerado pela solidão, pela falta de amor. Sara, a garçonete, é exemplar. É o eixo principal do filme. Djair e ela. Mesmo com risco de spoiler, o desfecho dos dois carrega a alma do filme. Mesmo com todo aquele morticínio, não creio que seja um filme pessimista”.

Gabriela frequentou o laboratório do Sundance em 2014. Antes disso, já se impregnara do cinema de gênero, que é o seu preferido e ela já exercitava nos curtas. Exercita no próximo longa, “A Sombra do Pai”, com Júlio Machado e Nina Medeiros. Uma menina evoca o espírito da mãe que morreu para tentar fazer com que o pai, um pedreiro deprimido, reaprenda a viver. Não é um filme de morto-vivo, adverte a diretora. Há um terror brasileiro? Gabriela está tão jogada nesse caldeirão que não tem distanciamento para avaliar. “Talvez no futuro seja possível fazer isso”. Mas ela sabe que, se os códigos de gênero – a construção do clima, da atmosfera que gera o medo – vem do cinema estrangeiro (Hollywood?), os personagens são brasileiros. O Brasil cabe naquele restaurante assaltado pelo terror e pelo medo.

É um pouco o que diz Rodrigo Teixeira, que produz O Animal Cordial – e produziu o terror norte-americano The Witch/A Bruxa, que tanta sensação fez em Sundance. “Em comparação a outros gêneros, sinto que a nossa produção de terror ainda precisa amadurecer. Digo isso, porque acho importante, como uma cinematografia nacional, buscarmos nossa autenticidade em relação a um gênero. É isso que nos dá destaque, e também faz despertar o interesse no público. Temos exemplos recentes, e fico animado, com filmes que têm surgido e que trabalham o gênero terror e suspense com questões que são nossas, trabalhando com as referências e as chaves próprias do gênero, mas sem obrigatoriamente mimetizar o que vem de fora”. E Teixeira ressalta – “O terror também requer uma grande sofisticação por parte do diretor, o desafia a ter um roteiro engenhoso, sofisticado para convencer o público e tornar-se relevante. E acho que temos muitos talentos que estão aí e que conhecem o gênero a fundo e têm formação para trabalhar esses aspectos.”

O Animal Cordial nasceu de uma proposta de Rodrigo Teixeira – a de que Gabriela filmasse seu roteiro em 21 dias. Ela fez uma contraproposta pouco usual, mas perfeitamente viável, considerando que o filme se passa num só ambiente, o restaurante construído em estúdio (uma casa que foi adaptada para as necessidades da produção). Gabriela resolveu filmar cronologicamente, Teixeira aceitou. “Ele é um produtor muito criativo e compreende as necessidades da direção”, diz Gabriela. Dessa forma, a construção e desconstrução psicológica dos personagens ficou mais consistente (e foi facilitada) para o elenco.

Ao vivo
Floresta 104,7MHz
Carregando...

Send this to a friend