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Cerca de 18% dos adultos abusam do álcool

Por ORM
Publicado em 13 de fevereiro de 2020 às 14:30H

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Considerado uma doença pela Organização Mundial da Saúde (OMS), o alcoolismo, caracterizado pela dependência de substâncias alcoólicas, pode causar uma série de impactos na rotina e na qualidade de vida dos indivíduos que enfrentam esse quadro. Uma pesquisa do Ministério da Saúde mostrou que 17,9% da população adulta no Brasil fazem uso abusivo de bebida alcoólica, percentual é 14,7% a mais do que o registrado em 2006 (15,6%).

De acordo com a médica psiquiatra Danielle Boulhosa, o alcoolismo é uma doença crônica em que há o consumo compulsivo de álcool. Entre os fatores que contribuem para o aparecimento do quadro está a questão genética. Ou seja, filhos que têm pais alcoólatras têm mais propensão para desenvolver a doença e se tornar dependentes. Além disso, o alcoolismo tende a ocorrer com mais frequência entre gêmeos univitelinos. Estudos mostram que adolescentes abstêmios – que não ingerem muita bebida alcoólica –, filhos de pais com a doença, têm mais resistência aos efeitos do álcool do que jovens da mesma idade, cujos pais não abusam da droga.

Diagnóstico é complexo

É muito difícil o paciente se ver como dependente, segundo a psiquiatra. “Geralmente, quem está nessa situação começa o tratamento por conta de situações graves, que incluem o uso diário e abusivo das bebidas, situação financeira desestabilizada por conta da compra do produto em excesso, alterações de comportamento durante a embriaguez e até sintomas psicóticos por crises de abstinência, sendo necessária, em muitos casos, a internação hospitalar”, explicou Boulhosa.

Em médio e longo prazo, o alcoolismo tem efeitos negativos sobre a saúde física e psíquica (Divulgação)

Alguns dos sintomas do alcoolismo são a necessidade forte ou desejo incontrolável de beber; dificuldade de parar de beber depois de ter começado; abstinência física, como náusea, suor, tremores e ansiedade, quando se para de beber; e necessidade de doses maiores de álcool para atingir o mesmo efeito obtido com doses anteriores ou efeito cada vez menor com uma mesma dose da substância.

Com o hábito de beber vêm as consequências físicas e mentais, sendo que quanto mais alta for a concentração de álcool no sangue, mais severas podem ser as alterações de consciência e os sintomas de intoxicação alcoólica. Em curto prazo, pode haver, com o excesso de álcool, comportamentos inadequados, humor instável, falta de discernimento, fala arrastada, falta de atenção, problemas de memória, incluindo-se “apagões” e falta de coordenação.

Já o uso constante, descontrolado e progressivo de bebidas alcoólicas pode comprometer seriamente o bom funcionamento do organismo, levando a consequências irreversíveis. Em médio e longo prazo, o alcoolismo tem efeitos negativos sobre a saúde física e psíquica, que podem estar relacionados com exclusão social, acidentes de trânsito e comportamentos agressivos. Os problemas físicos podem ser gastrointestinais, como úlcera, varizes esofágicas, gastrite, gordura no fígado, hepatite, pancreatite e cirrose; neuromusculares, como cãibras, perda de força muscular, dormência, distúrbios de coordenação; cardiovasculares, como hipertensão, arritmias, aumento do risco de acidente vascular isquêmico; e sexuais, que incluem a redução da libido, ejaculação precoce, disfunção erétil e até infertilidade.

Transtornos mentais

Também há os transtornos mentais como consequência do alcoolismo, segundo a médica psiquiatra Danielle Boulhosa. Um deles é a depressão, já que o álcool tem efeito depressor sobre o sistema nervoso central e aumenta o risco de perturbações de humor e de depressão. Os sintomas são o desinteresse, perda ou aumento de peso, perturbações do sono, fadiga, perda de energia ou agitação, pensamentos negativos, diminuição da capacidade de pensamento ou concentração, e nos casos mais severos, pensamentos suicidas.

A abstinência também é um dos sintomas mentais da doença, quando o paciente para de ingerir as bebidas alcoólicas. O problema pode se revelar algumas horas depois ou surgir até quatro ou cinco dias após o momento, e os sintomas são taquicardia, tremores nas mãos, insônia, náuseas e vômitos, alucinações, inquietação, agitação e ansiedade. Nos casos mais graves, a situação de delírio é acompanhada de febre, convulsões e confusão mental.

Outras consequências do alcoolismo são a demência, já que a memória é frequentemente afetada pela ação do álcool e pela má nutrição dos pacientes, que resulta na carência de vitamina B1, essencial para a manutenção da capacidade de armazenar novas memórias; e a psicose, que consiste em alucinações e ideias delirantes.

Tratamento

Conforme explicou Boulhosa, embora o alcoolismo seja uma doença sem cura, é possível tratar e amenizar os efeitos, mas o processo é longo. Para começar, é necessário interromper totalmente a ingestão de álcool, já que, mesmo que um dependente de álcool esteja sóbrio por muito tempo, é suscetível a recaídas. O primeiro passo, segundo a médica psiquiátrica, é a pessoa querer, porque vai passar pela fase de desintoxicação. Também é bom ter uma rede de apoio, como família e amigos.

O tratamento consiste em uma equipe multiprofissional, com médicos de várias especialidades – nos casos em que houver alguma consequência física –, além de psiquiatra e psicólogo. Em Belém, o Sistema Único de Saúde (SUS) oferece os Centros de Atendimento Psicossocial (Caps), de forma gratuita, onde os profissionais atendem o usuário de maneira abrangente. O psiquiatra atua no tratamento medicamentoso contra a compulsão pelo álcool e também com medicamentos contra a depressão, ansiedade e outras compulsões. Outra opção de programa de tratamento do alcoolismo são os grupos de Alcoólicos Anônimos (AA), uma comunidade mundial de homens e mulheres que se ajudam a ficarem sóbrios.

Projeto acolhe quem sofre com a doença

Reduzir os prejuízos biológicos, sociais, culturais e econômicos que afetam a população usuária de álcool, estando ou não em situação de risco, é o principal objetivo do projeto Pacto Belém Pela Vida, vinculado à Prefeitura Municipal de Belém. Os eixos envolvidos diretamente no pacto são assistência social, saúde, educação, esporte, cultura e lazer, defesa social e geração de emprego e renda.

De acordo com o coordenador do projeto, Nelcy Colares, são fomentadas ações, junto com órgãos municipais, estaduais e federais, como centros de convivência, onde são realizados cursos culturais de teatro e música. Também são feitas oficinas de dança e de artes marciais. Em um ano e meio de projeto, cerca de seis mil pessoas já foram alcançadas pela iniciativa. É possível fazer parte por meio das instituições religiosas, as ONGs, comunidades terapêuticas e do Caps. As ações prioritárias do pacto são voltadas para a população em situação de rua, sob risco pessoal e social, e pessoas em sofrimento ou transtorno mental.

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