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Pará conta só com 7,2 mil médicos com menos de 60 anos em atividade para enfrentar a covid-19

Por ORM
Publicado em 11 de junho de 2020 às 07:46H

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UPA em Breves, no Arquipélago do Marajó: covid-19 pressiona desafio profissional (Tarso Sarraf – especial para O Liberal)

Para enfrentar a pandemia da covid-19, o Pará conta com 7.229 mil médicos com menos de 60 anos em atividade. Eles somam 1,7% do total de 422.912 médicos no Brasil. No Estado, a média é de 1,07 médico para cada mil paraenses: está abaixo do índice no País, que é de 2.5 médicos para cada mil brasileiros. Os dados fazem parte do estudo Demografia Médica no Brasil, desenvolvido pelo Conselho Federal de Medicina (CFM) em parceria com a Universidade de São Paulo (USP). O estudo deve ser lançado ainda este ano – e parte dele foi publicado nesta terça-feira (9). 

O estudo mostra que o País conta com quantidade significativa de médicos – formados nas escolas brasileiras e com registro nos conselhos regionais de medicina (CRMs) – em condições de engrossar a linha de frente contra a pandemia de covid-19, ocasionada pelo novo coronavírus. No entanto, a ausência de políticas públicas tem feito com que esses profissionais estejam mal distribuídos pelos estados e regiões.

“No momento em que transcorre essa emergência epidemiológica, o País conta com o total de 523.528 registros ativos de médicos nos 27 Conselhos Regionais de Medicina. Desse montante, 422 mil (80%) têm idade inferior a 60 anos, ou seja, estão aptos ao atendimento de pacientes com covid-19, desde que não apresentem comorbidades”, detalha o Conselho Federal de Medicina. 

Ainda na avaliação do CFM, médicos nessa faixa etária, assim como na população em geral, integram grupo de risco e, devem, portanto, ficar “afastados de atividades de assistência médica que os exponha a maiores chances de contágio pelo coronavírus”.

Pará teve 339 formandos em 2020 

Dado importante na avaliação da força de trabalho médica é que, somente de janeiro a maio de 2020, o Brasil passou a contar com 9.653 novos médicos, dos quais 339 no Pará – 3,5% do total. São profissionais que concluíram graduação em escolas do País e fizeram seus registros nos CRMs. Apenas em três estados – São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais – concentram 37,1% do total.

Dentre os que integram esse grupo de egressos, 40,2% se registraram nos CRMs em janeiro. Desse total, quase 70% colou grau em dezembro 2019. Nos meses seguintes, a distribuição dos novos inscritos se dá assim: fevereiro (6,2%), março (6,7%), abril (32,3%) e maio (14,5% – até dia 21).

“Ressalte-se que conjunto importante desses médicos, sobretudo os formados em abril e maio, anteciparam suas formaturas, conforme previsto pela Portaria nº 383, de 9 de abril de 2020, do Ministério da Educação, que dispôs sobre a antecipação da colação de grau para os alunos dos cursos de Medicina, em função da pandemia de covid-19”, frisa o CFM.

Tendência

Ainda segundo o CFM, o acréscimo de quase 10 mil novos médicos, apenas nos primeiros cinco meses de 2020, reflete a tendência de crescimento desse contingente de profissionais no País, nos últimos anos. Desde 2000, o total de 280.948 egressos deixaram as escolas médicas brasileiras. Descontando-se, no período, 29.584 baixas nesses cadastros por motivos diversos (aposentadoria, óbito e cancelamento), essa população médica aumentou em 251.364 indivíduos.

O CFM afirma que esse fenômeno resulta da abertura indiscriminada de novos cursos de medicina e da ampliação de vagas em escolas médicas já existentes. Atualmente, o País conta com 341 escolas médicas em funcionamento, das quais 162 (47,5%) iniciaram suas primeiras turmas entre os anos de 2011 e 2019. O número total de vagas estimado em fevereiro era próximo de 36 mil vagas (de primeiro ano). 

Distribuição por habitantes é desigual no Brasil

O Conselho Federal de Medicina explica que o aumento recente do número de novos médicos de médicos tem impacto na evolução da razão médicos por cada mil habitantes – indicador útil para comparações regionais. O Brasil como um todo passou a ter 2,5 médicos por cada porção de mil habitantes. Essa razão é superior ao registrado na Coreia (2,3), Polônia (2,4), Japão (2,4) e México (2,4) e ligeiramente abaixo dos Estados Unidos (2,6), Canadá (2,8) e Reino Unido (2,9).

“Internamente, os dados mostram que a distribuição dos médicos brasileiros é desigual entre os estados”, afirma o CFM. Há pelos menos oito estados com razão de profissionais por 1.000 habitantes igual ou superior ao índice brasileiro: Paraná (2,5), Minas Gerais (2,6), Santa Catarina (2,6), Espírito Santo (2,7), Rio Grande do Sul (2,9), São Paulo (3,2), Rio de Janeiro (3,7) e Distrito Federal (5,1).

Diante desse cenário, que aponta grande número absoluto de médicos, surge um questionamento: se não há falta de profissionais, por que, então, em alguns locais a relação entre estes e população é menor do que a média nacional? A resposta do CFM está “na fragilidade das condições de trabalho e de propostas do governo que atraiam e fixem os médicos em áreas de difícil provimento. O histórico dos últimos anos é de terceirização e quarteirização dos serviços médicos, atrasos nos pagamentos e, muitas vezes, calotes”. 

Maioria cita falta de equipamentos de proteção

O CFM lembra ainda que  a falta de condições de trabalho dos médicos é também constante. Em plataforma desenvolvida pelo conselho federal, médicos brasileiros têm relatado dificuldades ligadas ao enfrentamento da covid-19. No primeiro levantamento divulgado, em maio, os médicos denunciaram 17 mil irregularidades, em 2.160 serviços médicos.

As maiores reclamações foram sobre a falta de EPIs (38,2%). Entre estes, foram apontados problemas com a falta de máscaras N95 ou equivalentes (24,6%), avental (22%), óculos ou protetor facial (18,8%), máscara cirúrgica (16,1%), gorro (10%), luvas (4%) e luvas cirúrgicas (3,7%). 

Em relação a insumos, os profissionais informaram a ausência de kits de exame para a covid-19, com 29,4% das denúncias; medicamentos, com 21,9%; exames de imagem, com 13,8%; material para uso em unidades de tratamento intensivo (UTIs), com 10,2%; e material para curativo, com 6,1%.

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