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Pará é o segundo em mortes de indígenas por covid-19

Por ORM
Publicado em 06 de julho de 2020 às 16:56H

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Indígenas da etnia Tembé em protesto, em julho do ano passado: entidade aponta necessidade de atenção a populações (reprodução)

O Pará é o segundo estado brasileiro com o maior número de indígenas mortos por covid-19. São 74 óbitos, aponta levantamento divulgado neste fim de semana pelo Comitê Nacional pela Vida e Memória Indígena e Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB).

Em primeiro lugar, aparece o Amazonas (com 162 mortes), seguido de Roraima (com 43 óbitos) e Mato Grosso, com 40. Em todo o país, são mais de 11 mil casos confirmados da doença entre os indígenas, com 426 óbitos. E os povos indígenas atingidos, no Brasil, totalizam 124 nações.

O Comitê Nacional pela Vida e Memória dos Povos Indígenas é resultado da Assembleia Nacional de Resistência Indígena, realizada nos dias 8 e 9 de maio de 2020, e é organizado pela Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB), juntamente com todas as suas organizações de base.

Coordenadora executiva da APIB, Sônia Guajajara postou essas informações em seu Instagram, no qual ela pede apoio aos povos indígenas. “Ajude a fazer chegar alimentos, remédios e material de higiene nas aldeias”, escreveu. Esses dados são de domingo (5).

No mesmo domingo (5), Sônia Guajajara comentou: “A situação é extremamente grave”, acrescentando que já são de mais 30 mortes no povo Xavante. Ainda segundo ela, os povos indígenas é a população mais atingida pelo novo coronavírus no Brasil.

“O governo, além de não trabalhar uma ação concreta de enfrentamento da pandemia, tem sido o principal vetor da chegada do vírus e nos territórios mais isolados do país, colocando em risco milhares de vidas”, afirmou a liderança indígena.

“A APIB entrou no STF [Supremo Tribunal Federal] para tentar garantir segurança jurídica dentro desse contexto, já que o governo declaradamente é anti-indígena. Além de não adotar medidas para o enfrentamento e ser o principal vetor da chegada do vírus, tem adotado propostas que enfraquece as proteções dentro dos territórios que fortalecem a grilagem das terras indígenas e que tem aumentado a violência nos territórios”, detalhou Sônia Guajajara.

‘Governo distribui medicamentos’, denuncia APIB


Sônia Guajajara  afirmou ainda que o STF, hoje, talvez seja a única instância que pode garantir alguma segurança institucional. “É um dos poucos canais, já que o governo não cria espaço para uma construção efetiva de enfrentamento à pandemia. E, pelo contrário, está distribuindo medicamento que comprovadamente não tem comprovação científica e está fazendo isso de maneira aleatória, sem qualquer respaldo das organizações mundiais de saúde, como a Cloroquina entregue em Roraima. Então é grave o que está acontecendo e a APIB vai continuar firme, denunciando e buscando que medidas sejam tomadas para que essa situação possa ser mudada”.

A Articulação dos Povos Indígenas do Brasil é uma instância de aglutinação e referência nacional do movimento indígena no Brasil, que nasceu com o propósito de fortalecer a união dos povos indígenas, a articulação entre as diferentes regiões e organizações indígenas do país e unificar as lutas dos povos indígenas, a pauta de reivindicações e demandas e a política do movimento indígena, entre outros objetivos.

Sespa diz que atua junto a comunidades


Ainda sobre esse assunto, a Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa) informou, anteriormente, que já disponibilizou alas específicas para a comunidade indígena nos hospitais de campanha, com leitos exclusivos em Belém, Marabá, Santarém e Breves.

Além disso, o Estado junto com a Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai), Ministério da Saúde e Exército oferecem dentro das aldeias, com equipes médicas da Polícia Militar, consultas, visitas domiciliares aos indígenas idosos, testes rápidos e medicamentos para tratamento de sintomas leves e moderados.

A Sespa informou, ainda, que enviou a todos os Distritos Sanitários Especiais Indígenas (Dseis) máscaras de proteção e álcool 70%.

Funai diz que reforça ações de prevenção


Em nota, a Fundação Nacional do Índio (Funai) informou que “tem reforçado as ações de prevenção ao contágio da covid-19 entre a população indígena no Pará e demais estados que fazem parte da Amazônia Legal”. 

Segundo diz a Funai, o trabalho é realizado em conjunto com a Sesai do MS e órgãos locais. Em todo o Brasil todo são 39 Coordenações Regionais, 225 Coordenações Técnicas Locais e 11 Frentes de Proteção Etnoambiental em todo o Brasil.

“A atuação destas unidades descentralizadas tem sido no sentido de promover a permanência dos indígenas nas aldeias durante a pandemia de covid-19. Para isso, vem trabalhando, entre outros, para garantir a segurança alimentar das comunidades em situação de vulnerabilidade social. Além disso, a Funai participa de diversas barreiras sanitárias, a fim de impedir a entrada de não indígenas nas aldeias”, diz a Funai.

A Fundação informou ainda que já entregou a famílias indígenas do Pará mais de cinco mil cestas de alimentos, adquiridas com recursos próprios ou provenientes de doações. “Quase 11 mil cestas básicas, obtidas pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) com recursos do Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos (MMFDH), serão distribuídas nos próximos dias no Estado. Além disso, mais de 4 mil kits básicos de higienização e limpeza adquiridos pela Funai também serão entregues às comunidades indígenas do Pará”.

Nos estados da Amazônia Legal, a Funai destaca que atingiu a marca de 43.460 cestas básicas distribuídas (adquiridas com recursos próprios ou doações). Outras 126.878 cestas (obtidas pela Conab com recursos do MMFDH) já estão em processo de distribuição. Quase 30 mil kits de higiene e limpeza foram entregues a indígenas da região.

Ainda como medida preventiva, a Funai diz ainda que enviou Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) aos servidores das unidades descentralizadas do órgão, que seguem em contato com as aldeias, o que inclui máscaras, luvas, toucas e óculos de proteção, além de testes rápidos.

A Funai também comunicou que participa da Operação Verde Brasil 2, deflagrada pelo governo federal para executar ações preventivas e repressivas contra delitos ambientais na Amazônia Legal.  Em outra frente, a Funai destaca que lançou campanha de doações Empresa Solidária, criada para receber gêneros de necessidade básica, como alimentos não-perecíveis e produtos de higiene e limpeza, e encaminhá-los às aldeias. O objetivo é reforçar o isolamento das comunidades indígenas por meio das doações.


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