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Ministério da Saúde retoma vacinação de adolescentes

Por R7
Publicado em 23 de setembro de 2021 às 01:04H

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O Ministério da Saúde recuou e decidiu retomar a vacinação os adolescentes de 12 a 17 anos sem combordidades. A medida cautelar da semana passada que suspendia a vacinação dessa faixa etária foi suspensa. Uma nota informativa da Secretaria Extraordinária de Enfrentamento à Covid-19 da pasta, divulgada na noite no último dia 15, informava que a pasta não recomendava a vacinação de crianças e adolescentes menores de 18 anos sem comorbidades. A nota informativa mudava a recomendação anterior, de 2 de setembro, de vacinação deste público.

O ministério justificou a medida da semana passada pelo suposto uso de vacinas ainda não aprovadas pela Anvisa em adolescentes de 12 a 17 anos, pelos estados. O óbito de uma jovem após a vacinação também foi apontado como razão para a interrupção, além da suspeita de eventos adversos. De acordo com a coletiva desta quarta-feira (22), houve um estudo sobre esses fatos e ficou decidido que não há razão para a interrupção da vacinação. 

Estados e municípios continuaram a vacinar adolescentes

Mesmo após o anúncio da suspensão da vacinação de adolescentes sem comorbidades pelo Ministério, na semana passada, a maior parte das cidades brasileiras continuo a vacinação desse grupo. A fala do ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, gerou uma série de críticas de sociedades médicas e especialistas, por não ter respaldo nos fatos.

Argumentos desconstruídos

Dentre as justificativas do ministro para não vacinar adolescentes sem comorbidades estavam: um suposto recuo do Reino Unido no mesmo sentido e uma suposta orientação da OMS. Todos os argumentos foram desconstruídos já nas primeiras horas após o pronunciamento de Queiroga da semana passada.

No começo do mês, o JCVI (Comitê Conjunto de Vacinação e Imunização) britânico concluiu que “a margem de benefício é considerada muito pequena” na imunização de jovens de 12 a 15 anos saudáveis.  Mesmo assim, a Grã Bretanha seguiu adiante com os planos de vacinar os adolescentes, com o aval de sociedades médicas e diante da volta às aulas.  Sobre a suposta ressalva da OMS sobre a vacinação de adolescentes, a entidade apenas defende a priorização dos grupos mais vulneráveis.

A Sociedade Brasileira de Pediatria divulgou nota na semana passada em que defende a vacinação de todos entre 12 e 17 anos com ou sem comorbidades.  “Apesar de diversos estudos oriundos de vários países estimarem que o número de casos de Covid-19 na faixa etária pediátrica seja de 1% a 5% do total de casos confirmados, ainda que na sua maioria, apresentem formas leves ou assintomáticas, crianças e adolescentes não estão isentos da ocorrência de formas graves, como a Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) e a Síndrome Inflamatória Multissistêmica, além de casos de Covid-19 longa e suas consequências, especialmente em relação aos aspectos cognitivos envolvendo o aprendizado. O número de óbitos reportado no último boletim epidemiológico do Ministério da Saúde, somado ao total do ano anterior, é de 2.416 óbitos de crianças e adolescentes, representando mais do que a soma de todos os demais óbitos por doenças imunopreveníveis, o que denota o impacto da doença nessas faixas etárias”, diz o comunicado.

Vacina Pfizer/BioNTech

A vacina da Pfizer/BioNTech é a única autorizada pela Anvisa para uso em menores de idade até agora para utilização em adolescentes com 12 anos ou mais que utiliza tecnologia de RNA mensageiro. O aval da Anvisa foi dado em 11 de junho. O imunizante da Pfizer possui registro sanitário definitivo no órgão regulador, ou seja, não é um produto “experimental”, como chegou a ser dito pelo presidente Jair Bolsonaro.

A própria Anvisa se manifestou a favor da vacinação de adolescentes sem comorbidades.  “Para as conclusões sobre eficácia, foram considerados 1.972 adolescentes vacinados. A eficácia da vacina observada foi de 100% para indivíduos sem evidência de infecção prévia por SARS-CoV-2, antes e durante o regime de vacinação, e 100% para aqueles com ou sem evidência de infecção prévia por SARS-CoV-2, antes e durante o regime de vacinação”, afirma a Anvisa em nota.

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