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Morte de médico paraense na linha de frente da covid-19, no Rio de Janeiro, repercute

Por ORM
Publicado em 13 de maio de 2020 às 15:52H

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Nascido em Belém, o psiquiatra Danilo David Santos, de 33 anos, morreu de covid-19, no Rio de Janeiro. Ele faleceu no domingo (10). Danilo fazia plantões na emergência de uma UPA no bairro da Tijuca. Ao site G1, a mãe dele, Francisca das Chagas dos Santos, de 61 anos, disse que o filho foi infectado no exercício da profissão. “Lutou, lutou, lutou. Morreu na profissão, se contaminou na profissão, morreu trabalhando”, afirmou. Danilo era diabético e hipertenso.

Um dia antes de ser entubado, mandou mensagem de celular para uma amiga, e escreveu. “Meus pacientes precisam de mim. Logo na semana que vem já tenho que ir salvar pessoas”. No Twitter, Bia Cardoso escreveu o seguinte: “Danilo David Santos, 33 anos. Cresceu em uma casa de palafita, em Belém. A mãe, manicure e diarista. O pai, vidraceiro. Aos 16 anos, passou em três faculdades. Foi fazer residência médica em psiquiatria, no Rio, onde conheceu o marido, Gilberto. Sonhavam adotar duas crianças”.

Depoimento na linha de frente


No programa REP sob Pressão, da TV Globo e em agosto de 2017, Danilo deu um depoimento. Disse ser médico psiquiatra, natural de Belém, mas que morava no Rio há muito tempo por conta da especialização. “Mas, apesar de ser psiquiatra, também trabalho em uma emergência. Sou chefe de equipe de uma unidade de emergência no Rio e cuido das salas amarela e vermelha, a sala de pacientes graves. Nós trabalhamos diariamente sob muita pressão”, afirmou.

“Diariamente, somos bombardeados por situações de emergência extrema, onde temos que tomar decisões rápidas, senão podemos perder esse paciente. E somos bombardeados com algumas outras situações que não são nem da nossa alçada, como as de cunho social”, acrescentou.

No programa, Danilo também citou uma situação que aconteceu com ele algum tempo atrás, um caso de racismo durante o horário de trabalho dele. “Na verdade, pra nós que somos negros, no país, isso é feito de maneira velada desde muito cedo. Na faculdade, estudei em uma universidade púbica, o mais escuro da sala era eu. Só que nunca fui criado pelos meus pais como negro. Eu era moreno. E nunca tinha me dado conta disso. Hoje, olhando para trás, vejo porque eu era o mais escuro da sala dentre 50 alunos. Não existiam pessoas negras na minha sala de aula. Só pessoas brancas”, disse.

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