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Situação está fora de controle no Pará, diz especialista

Por O Liberal
Publicado em 05 de maio de 2020 às 04:17H

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Pessoas doentes, mais filas para atendimento, mais óbitos. Esse é o cenário da pandemia do novo coronavírus, a covid-19, no Pará. Os especialistas apontam que a pandemia perdeu o controle no estado do Pará, que está no maior pico da doença e ainda haverá muitos problemas nas próximas semanas. O Pará teve o primeiro caso confirmado pelo novo coronavírus no dia 18 de março e já soma 344 até a tarde desta segunda-feira (04). Além de 4.125  casos confirmados.

Na visão da infectologista e vice-presidente da Sociedade Paraense de Infectologia (SPI), Helena Brígido, não houve preparo para enfrentar o problema e a situação está fora do controle. “Estamos no maior pico e ainda teremos muitos problemas nas próximas semanas. Não houve preparo para uma tragédia anunciada. Já estamos no pico e vamos continuar por algumas semanas. Não há previsão, pela alta transmissibilidade do vírus e pelo tardio freio no distanciamento social, que haja diminuição nas próximas oito semanas. Na prática, isso significa que teremos mais pessoas doentes, mais filas para atendimento, mais óbitos em domicílio”, afirma a médica, que atua na linha de frente de combate ao vírus e à doença.

Para a médica foram diversos fatores colaboraram para o grande crescimento da doença entre os paraenses. “A falta de estrutura de serviços já existentes; a demora na atitude de promover o distanciamento social e o uso de máscaras; a demora em abertura de novos serviços e que não estão atendendo a população a contento; a diminuição drástica de profissionais de saúde atendendo, seja por estarem afastados por fatores de risco ou porque adoeceram e a não colaboração abrangente da população em aderir ao distanciamento social de forma rigorosa”, frisa a infectologista.

Desde a segunda-feira passada (27), a Prefeitura de Belém decretou o fechamento de todas as atividades consideradas não essenciais. Para ela, essas ações são necessárias, uma vez que a defesa agora é pela vida das pessoas. “É difícil um momento como esse que a população não tenha como manter o próprio sustento, porém, é a vida que está em jogo. E medidas como essas são necessárias, pois, quanto mais pessoas na rua, mais transmissibilidade, mais doentes, mais mortos”, pontua Brígido, docente da Universidade Federal do Pará (UFPA).

Para a médica, algumas medidas devem ser tomadas, para ajudar na superação da difícil crise. Uma delas é a melhoria dos serviços já existentes com a facilidade de atendimento para a população, com mais profissionais de saúde, medicamentos, testes para diagnóstico. Além da ampliação de serviços para atender a demanda da população, bem como a fiscalização do distanciamento social e fechamento de serviços não essenciais.

Outra ação importante que a infectologista destaca é que os governantes se unam para melhor aproveitamento dos serviços entre os Municípios e o Estado. “Estamos em uma guerra biológica e, além de não haver resolutividade com os conflitos políticos, a população está cada vez adoecendo”.

Além da atenção aos profissionais de saúde, com a garantia de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) de forma contínua. “Porque alguns insumos são descartáveis, por exemplo, ou avental, luvas, máscaras cirúrgicas. É preciso também ter óculos de proteção e face shield ou máscara protetora facial. Quanto mais os profissionais de saúde estiverem protegidos menos possibilidade de adquirir o vírus e, portanto, a população pode ter mais atendimentos”, afirma a vice-presidente da SPI.

Com profissionais protegidos com EPIs, é fundamental a estruturação dos serviços já existentes e a abertura de novos serviços. “Assim, é possível levar melhor resolutividade para a população, que está cansada de procurar atendimento em vários locais, sem êxito”.

Ainda na opinião dela, o Estado poderia fazer a telemedicina para o interior do Pará. “Foi uma proposta aceita, discutida, e não executada. Após todos os trâmites, houve mudança de planos. Seria uma forma de ajudar o interior do Estado aprender essas pessoas com médico presente no local. O estado poderia contratar um grupo de especialistas para dar suporte nos locais já existentes, seja presencialmente ou não. Uma equipe de profissionais que pudessem colaborar na estruturação de serviços e na assistência propriamente dita”, sugere a infectologista.

População deve manter isolamento e distanciamento social

Diante de tantos problemas ainda a serem superados diante da pandemia no Estado, a especialista enfatiza que o isolamento e o distanciamento social são as melhores medidas para não propagar mais o vírus. “A Síndrome Respiratória Aguda Grave – Sars-Cov-2, o novo coronavírus, é altamente contagioso e tem alta transmissibilidade. Ao circular pelas ruas uma pessoa pode adquirir o vírus, ficar doente ou não, e pode passar para os membros da própria família ou de pessoas local de trabalho. Então, é importante só sair de casa quando for realmente necessário, se tiver que ir ao supermercado, farmácia ou padaria, vá só um membro da família”, orienta a docente da UFPA.

Outro cuidado imprescindível é usar máscaras o tempo todo inclusive dentro de casa. “Nesse momento tão delicado e com tantos casos, sugiro máscaras inclusive dentro de casa, a não ser que ninguém da casa tenha saído, o que é muito difícil. Se um componente da família sai e não tem as devidas precauções, no retorno para casa, pode passar para alguém no próprio domicílio. O risco é ainda maior para idosos hipertensos, diabéticos e obesos, asmáticos, fumantes e etc, então o uso de máscaras dentro de casa pode ser necessário”.

Todos esses cuidados ainda estão sem prazo para terminar, uma vez que ainda não se sabe quando terá fim o distanciamento social. “Nas próximas semanas, poderemos ter uma visão melhor para pensar nessa possibilidade de começar a diminuir esse distanciamento. Agora, deve ser mantido e com muito rigor. Estamos de luto por mortes de profissionais de saúde, de membros da família, de pessoas conhecidas e desconhecidas. Nunca imaginávamos que em 2020 teríamos uma pandemia de grandes proporções em nosso estado, em nosso país. É preciso ter força para superar essas dores, porém é preciso que a população exige dos governantes um atendimento de qualidade”, finaliza Helena Brígido. 

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