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Cinco dicas para criar o bom hábito da leitura e cinco livros para quem já gosta de ler

Por MSN
Publicado em 27 de setembro de 2017 às 09:59H

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Acredite, ler faz bem para o cérebro em qualquer idade, mas, para os maiores de 50, traz benefícios adicionais. O hábito pode se tornar um grande estímulo para diversas áreas da nossa massa cinzenta, entre elas aquelas relacionadas à memória e à concentração. Um estudo feito por pesquisadores do centro médico da Universidade Rush, de Chicago, nos Estados Unidos, com 294 idosos, mostrou que dedicar um tempo à leitura reduz a velocidade do processo de deterioração mental – a prática chega a diminuir em até 15% o ritmo da progressão da perda da memória.

Outro estudo realizado por  pesquisadores da Universidade de Stanford, nos Estados Unidos, em 2012, obteve resultados interessantes sobre a forma como nosso cérebro responde à literatura. O grupo, formado por neurobiólogos, radiologistas e outros especialistas, pediu aos participantes para lerem trechos do clássico “Mansfield Park”, da escritora inglesa Jane Austen, enquanto estavam dentro de uma máquina de ressonância magnética, o que permitiria aos pesquisadores terem uma visão do fluxo sanguíneo nas várias áreas do cérebro. A ideia era explorar as relações entre a leitura, a atenção e a distração. Durante o experimento, os voluntários alternavam estilos de leitura, mais ou menos atenta, mais ou menos relaxada. Os resultados surpreenderam. Natalie Phillips, uma das coordenadoras do estudo, PHD em literatura inglesa, em entrevista às publicações especializadas, como a Standford News, declarou: “prestar atenção a textos literários exige a coordenação de múltiplas e conmplexas funções cognitivas, muito mais complexas do que trabalhar ou desenvolver atividades de lazer, como jogos”. Ou seja, ler não mexe apenas com sua imaginação, é um exercício muito mais desafiador em termos de concentração e compreensão.

Apesar de tantos benefícios, muitos brasileiros ainda não incorporaram esse hábito na vida. Segundo a pesquisa Retratos da Leitura no Brasil de 2016, realizada pelo Ibope por encomenda do Instituto Pró-Livro, 44% da população brasileira não tem o costume de ler. São considerados não leitores pelo estudo aqueles que não leram um título sequer nos últimos três meses. Na faixa dos 50 aos 69 anos de idade, os não-leitores correspondem a 59% dos entrevistados, e dos 70 em diante, a 73%. Assistir televisão é a atividade preferida dos não-leitores nas horas vagas. A pesquisa também revela algumas preferências dessa faixa etária: a maioria escolhe o livro por tema ou assunto e entre os gêneros preferidos estão os textos religiosos, contos e romances.

No geral, o brasileiro lê em média 4,96 livros por ano e a leitura de livros impressos ou digitais ficou em décimo lugar quando o assunto é o que mais se gosta de fazer no tempo livre. Em primeiro vem assistir televisão (73%), seguido de atividades como reunir-se ou sair com amigos ou família, assistir vídeos ou filmes em casa e usar WhatsApp. Empatou com ler jornais, revistas ou notícias e praticar esportes. Só perdem para a leitura desenhar, pintar, fazer artesanato ou trabalhos manuais, ir a bares, restaurantes ou shows, ir ao cinema teatro, concertos, museus ou exposições, não fazer nada, descansar ou dormir.

Dos gêneros mais lidos, além da Bíblia, os títulos religiosos aparecem na liderança das preferências de leitura – não à toa o livro mais vendido da semana de 29 de maio a 04 de junho foi “Philia”, do Padre Marcelo Rossi, segundo levantamento da Nielsen BookScan. O padre, inclusive, também está entre os autores preferidos dos brasileiros, ao lado de Monteiro Lobato, Machado de Assis, Paulo Coelho, Maurício de Sousa, Augusto Cury, Zibia Gasparetto, Jorge Amado, Carlos Drummond de Andrade, Cecília Meireles, Chico Xavier, John Green, Ada Pellegrini, Vinícius de Moraes e José de Alencar. Contos e romances também estão entre gêneros favoritos.

Incorporar o hábito da leitura no dia a dia pode ser mais fácil do que você imagina. A seguir, listamos cinco dicas para dar um empurrãozinho nesse processo. E, para quem já gosta de ler, sugerimos cinco títulos para devorar com os olhos.

PARA QUEM QUER CRIAR O HÁBITO DE LER

Comece por seus temas e gêneros favoritos

De acordo com a pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, citada mais acima, os principais fatores que influenciam o brasileiro acima dos 50 anos de idade na escolha do livro são o tema e o autor. Vá fundo, então, nos assuntos que mais atraem você: sejam eles religiosos, culinária, ficção policial, poemas e poesias. Sabe aquele livro que marcou a sua adolescência? Que tal retomá-lo? O best-seller da prateleira da livraria? Também. Dê uma chance à leitura!

Já pensou em investir nos e-books?

Os livros digitais, chamados de e-books, são o suprassumo da praticidade. Além de armazenar uma grande quantidade de títulos em sua estante virtual, os dispositivos para leitura de e-books, como o Kindle e até mesmo o iPad, possuem ferramentas ótimas, como dicionário e dicas de vocabulário e escolha do tipo e tamanho da fonte. Alguns deles também possuem luz interna e ajustável que substitui o abajur de cabeceira e poupa a vista em ambientes com pouca claridade.

Reserve um tempo para ler

Assim como praticar exercícios, ler também exige dedicação. Durante uma semana, faça um teste para ver o momento em que a concentração vem mais fácil. Prepare o cantinho da leitura: um ambiente agradável e confortável pode incentivá-lo ainda mais. Você pode calcular o tempo ou separar um número de páginas para ler diariamente. Veja o que funciona melhor dentro da sua rotina.

Leia para os netos

Já parou para pensar que ler para os netos pode ser um incentivo à leitura não só para eles, mas para você também? Além disso, proporcionar esse momento em família ajuda a estreitar os laços e provoca um bem-estar danado. Solte a imaginação durante a contação de histórias, faça gestos elaborados e crie vozes divertidas para acompanhar os climas do enredo.

Leia com amigos e frequente clubes de leitura

Sabe aquela série que você acompanha no Netflix e comenta com os amigos a cada virada de episódio? Que tal fazer a mesma coisa com um livro? Trocar experiências e impressões sobre a mesma obra pode, além de motivar a leitura, fazer você enxergar coisas que talvez nem tenham passado pela sua cabeça se lesse sozinho. Outra opção é criar um grupo de leitura com familiares ou amigos ou até começar a frequentar clubes de leitura na sua cidade. Em São Paulo, o clube criado pela Biblioteca Mário de Andrade existe desde 2013 e é frequentado regularmente por pelo menos 20 pessoas. Algumas unidades da rede Sesc, também na capital paulista, também investem nessa atividade, assim como algumas editoras, a exemplo da Companhia das Letras. Fique de olho.

PARA QUEM JÁ GOSTA DE LER

Se ler é a sua praia, essa lista é para você. Entre as sugestões de títulos há best-sellers bem avaliados pela crítica, indicações de clubes de assinatura e vencedores de prêmios. Boa leitura!

1) “O INFERNO DOS OUTROS”, de David Grossman

O romance do autor israelense foi o vencedor do Man Booker International Prize 2017, premiação inglesa dedicada a obras traduzidas no país. Nesse livro, Dovale apresenta um show de stand up em um palco decadente de uma pequena cidade de Israel para meia dúzia de curiosos e um amigo de infância. Durante a apresentação, o comediante vai de piadas no limite do politicamente correto a dramas pessoais mais profundos, levando a plateia do riso à melancolia. No Brasil, a obra foi publicada pela Companhia das Letras.

2) “O LEOPARDO”, de Giuseppe Tomasi di Lampedusa

Antes de falar sobre a obra, vale explicar que chegamos até ela dando uma espiada na TAG – Experiências Literárias. A TAG é um clube de assinaturas de livros que envia mensalmente um kit literário à casa dos associados. No entanto, o leitor só descobre a obra da vez, sempre indicada por um curador convidado, quando abre o pacote. A ideia é fazer com que você descubra livros que talvez não leria e, assim, explorar novos universos literários. Em maio, o escritor peruano Mario Vargas Llosa, um dos mais importantes da atualidade, vencedor do Prêmio Nobel de Literatura de 2010, indicou “O Leopardo”. Nessa obra-prima italiana, o leitor viaja até a Sicília do final do século 19, durante o período da unificação do país, para acompanhar a história de um príncipe que observa o fim da sua classe, a aristocracia.

 3) NA MINHA PELE, de Lázaro Ramos

Convidado para a sessão de abertura da Festa Literária Internacional de Paraty deste ano, o ator brasileiro Lázaro Ramos lança “Na Minha Pele”, publicado pela editora Objetiva. Nesse livro de memórias, o baiano nascido na Ilha do Paty, na Baía de Todos os Santos, reflete sobre o que é ser negro no Brasil. Militante contra o racismo, o autor divide com o leitor suas reflexões sobre temas como ações afirmativas, gênero, família, empoderamento, afetividade e discriminação.

 4) INSUBMISSAS LÁGRIMAS DE MULHERES, de Conceição Evaristo

A escritora mineira Conceição Evaristo escreve desde cedo, mas só aos 70 anos ganhou reconhecimento. Agora, muitos dos livros que publicou de forma independente têm sido lançados por editoras. É o caso de “Insubmissas Lágrimas de Mulheres”, reeditado pela Editora Malê, um livro de contos que reflete e aproxima as mulheres, em especial as negras. A autora também vai à Flip neste ano.

5) PRISIONEIRAS, de Drauzio Varella

Recém-lançado, é o último volume da trilogia do Drauzio Varella sobre o sistema carcerário brasileiro, sequência de “Estação Carandiru” e “Carcereiros”. Neste livro, o médico retoma os últimos onze anos de atendimento na Penitenciária Feminina da Capital, que abriga mais de duas mil mulheres. Muitas delas entraram no crime por conta de seus parceiros, até mesmo levando drogas aos parceiros presos nas cadeias masculinas em dias de visita, mas são esquecidas atrás das grades pelas famílias. Drauzio começou seu trabalho como médico voluntário em penitenciárias em 1989, no extinto Carandiru.

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