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Com quatro reajustes da Petrobras em dois meses, preço do combustível dispara e afeta população e economia

Por DOL
Publicado em 23 de fevereiro de 2021 às 01:03H

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Um impacto em um setor que acaba afetando toda a população. Esse é o cenário que as recentes altas nos preços dos combustíveis está promovendo no Brasil. Desde o início do ano, a Petrobras já reajustou quatro vezes o preço da gasolina e três vezes o do diesel. O último reajuste foi na última quinta-feira (18), que subiu os preços em 10,2% e 15,1%, respectivamente, os maiores reajustes de 2021. Só neste ano, o preço da gasolina vendida pela Petrobras acumula alta de 34,7%, enquanto o diesel fica em 27,7%.

Os frequentes aumentos têm gerado insatisfação e impactos financeiros entre a população, em especial, aqueles que trabalham diretamente com transporte. É o caso do motorista de aplicativo Rodrigo Miranda. Sendo a única fonte de renda para sustentar os pais e o filho, ele sente diretamente o aumento no valor do combustível. “Não sei onde vamos parar. Eu estou gastando mais para abastecer o meu carro e rodar, mas eu não estou ganhando mais, pois as corridas continuam o mesmo valor. Com isso, impacta diretamente na minha renda mensal. Ai chego no supermercado e tudo vai aumento de preço. Não sei onde vamos parar”, lamenta.

Quem também sofrendo com o aumento é o entregador Alcemir Souza. Trabalhando com revenda de frangos, ele conta que, com o aumento do preço do combustível, teve que aumentar o valor final das mercadorias. “Antes eu colocava R$ 220,00 por semana, em média, e rodava 500 quilômetros. Hoje gasto 280,00 para fazer o mesmo percurso. Com isso, tenho um gasto de mais R$ 60 por semana. Agora acaba que estou tento que repassar esse aumento para os meus clientes, que compram o frango congelado e, automaticamente, eles repassam para o consumidor final”, detalha.

De acordo com o economista e supervisor técnico do Dieese, Roberto Sena, o aumento do combustível impacta diretamente na alimentação dos paraenses. “No Pará, o aumento dos combustíveis tem um grande impacto grande, pois mais de 60% da alimentação dos paraenses é importada de outras regiões do Brasil. Todos padecem com essa situação, seja a dona de casa, seja o motorista. É um efeito dominó na economia e, para piorar, em um momento de pandemia, onde muitas pessoas tiveram a renda mensal reduzida ou até perderam os empregos.

Os preços praticados nas refinarias da Petrobras são reajustados de acordo com a taxa de câmbio e a variação do preço internacional do petróleo, negociado em dólar. “É necessário que tenha um equilíbrio financeiro para que não afete o consumidor final. A empresa está no Brasil, de brasileiro, deveria buscar um equilíbrio econômico, mas hoje a empresa está tendo lucro, pois está importando e exporta no mesmo preço lá de fora, prejudicando quem está aqui”, detalha Roberto Sena.

Ele completa dizendo: “minha avaliação é que tem que buscar o equilíbrio, a empresa não pode ter prejuízo, mas também não pode prejudicar os consumidores. Eu pergunto: como fica a economia de quem precisa se alimentar? O preço do combustível sai da refinaria e quem ganha é o Governo Federal, vai para os postos de combustível, que lucro é o empresário, e o consumidor final fica como?”. Desde a última sexta-feira (19), em muitos postos de combustíveis da capital paraense o preço do litro da Gasolina já ultrapassou os R$ 5,00.

Nesta segunda-feira (22), Secretaria de Estado de Fazenda informou que o reajuste do preço do combustível é de responsabilidade exclusiva do Governo Federal e da Agência Nacional do Petróleo. Logo, o Estado do Pará aplica o preço da Petrobrás. Sobre a questão do ICMS, não houve aumento do imposto estadual. Enquanto isto, a Petrobrás e ANP – ambos vinculados ao Governo Federal – aumentaram em quase 35% o valor da gasolina, na refinaria. 

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