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Consumo do paraense cai neste período da pandemia

Por ORM
Publicado em 28 de abril de 2020 às 09:00H

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O comportamento de consumo do brasileiro está mudando à medida que a renda passou a diminuir após os decretos de distanciamento social, para conter a proliferação do novo coronavírus. Com cada vez menos dinheiro circulando no mercado, o consumidor passou a reduzir o volume de compras e optar pela substituição de produtos. Agora, os itens mais baratos e de primeira necessidade estão no topo das listas dos supermercados. Além desses produtos, o material de limpeza para se resguardar da doença também está ocupando um lugar de destaque nos carrinhos. 

Segundo a Associação Paraense de Supermercados (Aspas), logo após o início da pandemia, os consumidores passaram a comprar mais, porém, nenhum estoque de produto chegou a zerar. “A busca foi grande por itens de limpeza, até mesmo de comida, mas, em Belém, nunca houve desabastecimento”, afirmou o presidente da Aspas, Jorge Portugal. Apenas o álcool em gel chegou a sumir das prateleiras, no entanto, as vendas vêm se normalizando. 

Nas últimas semanas, as compras passaram a diminuir e o paraense, agora, está comprando o básico. “Com menos dinheiro no mercado e a certeza que não haverá desabastecimento no Pará, temos percebido que as pessoas estão fazendo compras menores e levando os itens de primeira necessidade. Além da cesta básica, os produtos de limpeza também estão bem presentes nos carrinhos. Álcool em gel e o álcool 70% têm, sem dúvida, uma procura maior agora, na quarentena, que em outros períodos”, frisou Jorge Portugal.  

Pesquisa 

O comportamento do paraense é um recorte do resto do país. Uma pesquisa feita pela Kantar, mostra que durante a primeira semana do distanciamento, a cesta média de compras do brasileiro passou a incluir itens mais baratos: linguiça, embutidos, água sanitária e mineral, além de frango. O período analisado pelo levantamento faz a comparação das compras da semana de 9 de março a 23 do mesmo mês, quando as medidas de isolamento ficaram mais rígidas. 

Conforme a pesquisa, o tamanho da cesta da classe da A/B recuou de 116 para 94; da classe C caiu de 115 para 92 e das classes D/E diminuiu de 103 para 86. A Kantar faz a apuração do tamanho da cesta em número índice – quanto maior a quantidade de itens comprados, mais alto é esse índice. Do período do pré-isolamento ao início da primeira semana do distanciamento, houve retração na quantidade de produtos comprados em todos as classes sociais.

A assistente administrativo Letícia Rolim, 38 anos, correu aos supermercados quando foram decretadas as medidas de distanciamento. Além de encher a dispensa, ela também redobrou as compras de material de limpeza. “Comprei mais água sanitária, detergente, álcool e sabão”, contou. Mas, ao passar dos dias, quando as compras foram acabando, Letícia, que mora com o filho e a irmã, passou a reduzir a lista. “Estamos comprando o básico da alimentação: leite, frango, arroz, feijão, mas não deixei os cuidados com os itens de limpeza”, disse.

Cesta básica 

Pela primeira vez do ano, em março, a cesta básica do belenense apresentou recuo de 3,27% em relação a fevereiro de 2020. Os dados são do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese). No mês passado, a cesta custou, em média, R$ 418,80 e comprometeu 43% do salário mínimo de R$ 1.045,00. 

O diretor técnico do órgão, Roberto Sena, explicou que com menos renda, a população deixa de comprar e, para sobreviver, busca produtos mais baratos. “Estamos tendo uma mudança gradual no consumo. Muitas pessoas perderam seus empregos ou tiveram que parar de trabalhar nas ruas, informalmente, devido à pandemia. Sem dinheiro, não há consumo”, destacou Sena, que também é economista.

Atualmente, ainda de acordo com o Dieese, no Estado, há cerca de 1,3 milhão de pessoas na informalidade. Para mitigar os efeitos da crise, o Governo Federal tem anunciado uma série de medidas. A mais importante delas, para a classe menos favorecida, é, sem dúvida, o pagamento do auxílio emergencial de R$ 600, por três meses inicialmente, aos trabalhadores informais, desempregados, contribuintes individuais do INSS e Microempreendedor Individual (MEI).

Se esse benefício alcançar, de fato, os mais pobres do país, ele pode ser fundamental para dar algum fôlego ao consumo das camadas menos abastadas. “Há quase 15 dias o dinheiro, aos poucos, passou a circular e, mesmo assim, ainda é pouco. Estamos num Estado que 3,5 milhões de pessoas são assalariadas e algumas tiveram cortes de parte do salário. A tendência é que o consumo reduza mais ainda, enquanto durar a pandemia”, observou Roberto Sena, ao avaliar parte do setor produtivo fechado.

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