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Dólar bate R$ 5,74 e renova recorde histórico com demissão de Moro

Por G1
Publicado em 24 de abril de 2020 às 15:15H

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Nota de US$ 5 dólares — Foto: REUTERS/Thomas White

O dólar opera novamente em alta nesta sexta-feira (24), renovando máximas históricas de cotação nominal (sem considerar a inflação), com a tensão política após o ministro da Justiça, Sérgio Moro, anunciar a demissão do cargo e sua saída do governo Bolsonaro.

Às 14h52, a moeda norte-americana era vendida a R$ 5,7244, em alta de 3,54%. Na máxima até o momento, chegou a R$ 5,7469 – novo recorde intradia.

Já a Bovespa opera em forte queda nesta sexta-feira.

No ano de 2020, em meio a cenário de juros baixos – com expectativa de ainda mais cortes na Selic pelo Banco Central –, o dólar acumula alta de mais de 42%.

Na véspera, o dólar já havia disparado diante dos ruídos políticos e encerrou o dia em alta de 2,21%, a R$ 5,5285, novo recorde nominal de fechamento.

Atuação do Banco Central

Em meio à disparada do dólar, o Banco Central anunciou para esta sexta-feira leilões de linha de dólar e de contratos de swap cambial para rolagem de vencimentos em ambos os instrumentos.

Em dinheiro “novo”, o BC injetou no mercado, entre os dois instrumentos, um total de US$ 1,545 bilhão, destaca a Reuters. O BC colocou ainda todos os 10 mil contratos de swap cambial (US$ 500 milhões) em leilão de rolagem e US$ 700 milhões em operação para postergar o vencimento de linhas de moeda estrangeira (a oferta era de até US$ 3 bilhões).

Tombo da atividade econômica

No noticiário econômico, pesquisa da Fundação Getulio Vargas (FGV) mostrou que a confiança da indústria brasileira deve registrar uma queda histórica em abril. A prévia da sondagem do setor indica recuo de 39,5 pontos, para 58,0 pontos. Caso esse resultado se confirme, essa será a maior queda mensal da história do indicador, com o índice alcançando o menor valor da série.

As contas externas do Brasil registraram déficit de US$ 15,242 bilhões no primeiro trimestre deste ano, com aumento de 1,32% na comparação com o mesmo período de 2019, informou o Banco Central nesta sexta-feira (24). Foi o maior rombo para o período desde 2015, ou seja, em cinco anos.

“A deterioração das contas públicas em decorrência da pandemia da Covid-19, associada à interminável crise, especialmente entre o Executivo e Legislativo, põe o Brasil nas cordas. O risco-país afugenta os investidores”, disse em nota Ricardo Gomes da Silva, da Correparti Corretora.

O mercado passou a estimar retração de 2,96% do PIB em 2020, segundo a última pesquisa Focus do Banco Central, e diversos bancos e consultorias avaliam que o país corre o risco de enfrentar uma nova recessão. Já o Fundo Monetário Internacional (FMI) prevê queda de 5,3% do PIB do Brasil neste ano.

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