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Tucuruí, 23 de October de 2019
Sistema Floresta

Vendas do comércio crescem pelo 3º mês seguido em agosto, mas perdem ritmo

Por G1
Publicado em 10 de outubro de 2019 às 15:37H

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As vendas do comércio varejista cresceram 0,1% em agosto, na comparação com o mês anterior, sustentadas principalmente pelos supermercados, segundo dados divulgados nesta quinta-feira (10) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Foi a terceira alta mensal seguida, mas houve perda de ritmo em relação aos meses anteriores. 

Na comparação com agosto de 2018, o avanço foi de 1,3%. Com isso, o setor passou a acumular no ano alta de 1,2%. Em 12 meses, entretanto, houve desaceleração, com a taxa de crescimento passando de 1,6% em julho para 1,4% em agosto, o que indica perda do ritmo de recuperação do varejo, que permanece no patamar de vendas de meados de 2015. 

O resultado de agosto ficou abaixo da mediana de 31 projeções de consultorias e instituições financeiras ouvidas pelo Valor Data, de alta de 0,3%. 

O IBGE revisou o resultado do varejo em julho para uma alta de 0,5%, ante um avanço de 1% divulgado anteriormente.

O IBGE também divulgou que a receita nominal de vendas do varejo, que não desconta a inflação, teve queda de 0,2% em agosto, frente a julho. Em relação ao mesmo mês do ano passado, houve alta de 3,9%. 

Supermercados sustentam alta

Segundo o IBGE, 4 das 8 atividades pesquisadas tiveram alta no volume de vendas em agosto. Veja o desempenho de cada segmento em agosto: 

  • Combustíveis e lubrificantes: -3,3%
  • Hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo: 0,6%
  • Tecidos, vestuário e calçados: -2,5%
  • Móveis e eletrodomésticos: -1,5%
  • Artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos e de perfumaria: -0,3%
  • Livros, jornais, revistas e papelaria: 0,2%
  • Equipamentos e material para escritório, informática e comunicação: 3,8%
  • Outros artigos de uso pessoal e doméstico: 0,2%
  • Veículos, motos, partes e peças: -1,7% (varejo ampliado)
  • Material de construção: -0,8% (varejo ampliado)

A alta média de 0,1% em agosto foi garantida principalmente pelos super e hipermercados (0,6%) e artigos de uso pessoal e doméstico (0,2%). Juntos, os dois setores correspondem a mais de 60% do total do varejo.

“O aumento nos dois grupos indica um perfil de consumo mais básico, associado às classes de rendimento mais baixas da população”, explicou a gerente da pesquisa, Isabella Nunes. 

Também houve altas nas vendas de equipamentos e material para escritório, informática e comunicação (3,8%) e livros, jornais, revistas e papelaria (0,2%). Vendas do comércio no acumulado em 12 mesesFonte: IBGE

Por outro lado, caíram as vendas de combustíveis e lubrificantes (-3,3%), tecidos, vestuário e calçados (-2,5%), móveis e eletrodomésticos (-1,5%) e artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos, de perfumaria e cosméticos (-0,3%). 

Para o IBGE, a queda nestes segmentos indicam que a população está dedicando mais seu orçamento às “compras de primeira necessidade”. 

“O equilíbrio entre essas quatro categorias em queda com dois grandes setores em alta levou o mercado a um patamar mais próximo da estabilidade”, avaliou a pesquisadora. 

Já o comércio varejista ampliado, que inclui veículos automotivos (-1,7%) e material de construção (-0,8%), ficou estável na passagem de julho para agosto. “Novamente, foram os supermercados e alimentos que serviram de contrapeso para esses resultados negativos, mantendo o índice geral estável”, concluiu Isabella. 

O varejo ampliado acumula alta de 3,5% no ano. Já em 12 meses, o indicador também teve queda no ritmo de vendas, ao passar 4,1% em julho para 3,7% em agosto. 

Vendas avançam em 15 das 27 unidades da federação

Segundo o IBGE, as vendas do varejo cresceram em 15 das 27 unidades da federação em agosto, com destaque para Piauí (11,9%); Amapá (4,3%); e Maranhão (3,9%). Já as maiores quedas foram registradas no Rio Grande do Sul (-7,6%); Rio de Janeiro (-2,3%); e Roraima (-2,1%). 

Recuperação lenta e perspectivas

Os indicadores econômicos mostram que a recuperação da economia segue em ritmo lento, mas a expectativa é de relativa melhora neste 2º semestre, em meio a um cenário de juros em queda, maior geração de postos de trabalho, ainda que puxada pela informalidade, e melhora da confiança após a aprovação final da reforma da Previdência. 

O Índice de Confiança do Empresário do Comércio, medido pela Confederação Nacional do Comércio (CNC), atingiu em outubro o maior patamar em 5 meses. O comércio aposta que a liberação dos saques das contas do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) e do Fundo PIS-Pasep ajudará a acelerar o consumo nestes últimos meses do ano. A CNC estima que R$ 13,1 bilhões (44% do total previsto a ser injetado na economia) será destinado para gastos no comércio e consumo de serviços. 

A projeção do mercado financeiro para estimativa de alta do PIB deste ano permanece em 0,87%, segundo a última pesquisa Focus do Banco Central, ainda abaixo do ritmo de crescimento de 1,1% registrado em 2017 e 2018. Para 2020, a previsão de crescimento do PIB continua em 2%.

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