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MEC lança material para incentivar pais a lerem para os filhos

Por G1
Publicado em 06 de dezembro de 2019 às 11:53H

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O Ministério da Educação lançou, na tarde desta quinta-feira (5), um guia para incentivar que pais leiam para os filhos em casa. Batizado de “Conta pra Mim”, o documento, segundo o MEC, faz parte da Política Nacional de Alfabetização (PNA), lançada em abril. A falta de materiais concretos de implementação da PNA foi alvo de um relatório elaborado pela Câmara dos Deputados e divulgado de forma preliminar no fim de novembro (leia mais abaixo)

O MEC disse, ainda, que pretende destinar no ano que vem R$ 45 milhões para implementar 5 mil espaços em creches, museus e bibliotecas para “ensinar os pais e receber as crianças instalados”. Professores das redes municipais e estaduais que desenvolverem atividades nesses espaços poderão receber bolsas de entre R$ 300 e R$ 400.

Além disso, uma série de 40 vídeos instrutivos foram produzidos. Os cinco primeiros foram divulgados nesta quinta, e os demais devem ir ao ar até o fim do ano, segundo afirmou o secretário de Alfabetização do MEC, Carlos Nadalim. 

“São R$ 20 milhões para os tutores, R$ 17 milhões destinados à elaboração desses kits de literacia familiar. O material elaborado pelo Instituto Maurício de Sousa vai ser distribuído aos alunos do 1º e 2º ano, e o segundo [material] são os kits de literacia familiar do Conta para Mim”, afirmou Nadalim.

Ilustrações do Instituto Maurício de Sousa

Segundo o ministério, o programa prevê dois tipos de materiais. O primeiro é um kit voltado para os pais que participarem do cantinho de leitura, com foco em famílias de baixa renda. Preparado pelo MEC, esse material já tem contratos de impressão assinados, segundo o ministro. Os números dessa contratação não foram divulgados. 

O segundo material é uma coleção de livros para uso em sala de aula, nas escolas públicas de estados e municípios que aderirem ao projeto. As ilustrações ficarão a cargo do Instituto Maurício de Sousa, que também vai formular o texto em parceria com o MEC. 

“[Serão] Historinhas bonitinhas, historinhas do Brasil”, afirmou o ministro Abraham Weintraub, em entrevista coletiva. “Vai ser só historinha bonitinha, fica tranquila. Folclore do Brasil… a preocupação de trazer o Maurício de Sousa é pra trazer esse ar de brasilidade. Sem doutrinar, sem nada, respeitando todas as diferenças que tem no Brasil. A gente tá lidando com criança pequena, mais cuidado ainda.”

‘Literacia familiar’

De acordo com ele, o programa está ligado ao conceito de “literacia familiar” – um termo ligado ao método fônico, que aposta nos sons e nas sílabas como ponto de partida para a alfabetização.

“Os pais, por meio dessas práticas, vão melhorar a compreensão dessas crianças da linguagem oral. Por meio disso, as crianças vão falar com mais clareza, e aprender a ler e escrever com mais autonomia. Para formarmos bons leitores, precisamos formar bons ouvintes”, disse Nadalim. 

Apesar de usar diversos termos ligados ao método fônico, como “kit de literacia”, “consciência fonológica” e “consciência fonêmica”, Nadalim afirmou durante o evento que não aposta em uma “bala de prata” capaz de resolver o problema da alfabetização. Segundo ele, a proposta envolve uma “combinação de estratégias”. 

Segundo informações divulgadas nesta quinta, a pasta diz que o guia contém informações sobre a técnica chamada de “literacia familiar”, e inclui ações como “interagir durante a contação de histórias, ler em voz alta, olhar olho no olho”. 

Ainda segundo o MEC, “são gestos simples, mas capazes de influenciar significativamente no desenvolvimento intelectual já na fase pré alfabetização, antes do começo das primeiras aulas na escola”, e “meninos e meninas que são estimulados desde cedo à leitura e à brincadeira dentro de casa tendem a chegar mais aptos e habilitados nos anos iniciais do ensino fundamental”. 

O material e vídeos didáticos podem ser acessados no site do MEC e, segundo o ministério, também podem ser adaptados para a sala de aula. 

Política Nacional de Alfabetização

O Conta pra Mim faz parte da Política Nacional de Alfabetização (PNA), a principal ação da nova Secretaria de Alfabetização do MEC (Sealf), lançada em abril. 

De adesão voluntária, a PNA fez parte das metas dos 100 primeiros dias do governo Bolsonaro. Mas ela foi criticada por especialistas tentar impor um método de alfabetização às redes e por tentar antecipar a idade prioritária da alfabetização. Após uma disputa de versões do rascunho da política, ela foi assinada por Bolsonaro mantendo a meta atual do Plano Nacional de Educação (PNE). 

O decreto de abril prevê, entre outras mudanças, que o ensino infantil reforce as atividades de pré-alfabetização, e que haja esforço extra para concluir o ensino da leitura já no primeiro ano do ensino fundamental. 

“A PNA não determina nenhum método especificamente. A adesão dos entes federados aos programas e às ações da PNA será voluntária”, explicou a pasta, na época. “O MEC está finalizando um caderno que explicará as diretrizes, os princípios e os objetivos da PNA.” 

Depois disso, porém, a Sealf levou mais quatro meses para divulgar o caderno prometido. A expectativa era de que o material detalhasse as diretrizes apresentadas na política, mas especialistas em educação avaliaram o documento apresentado em agosto deste ano como muito teórico e pouco efetivo. 

Exonerações na Sealf

No fim de novembro, a falta de programas e materiais para embasar a PNA foi um dos pontos criticados pelo relatório da Comissão Externa de Educação da Câmara dos Deputados. Na semana passada, o Ministério da Educação informou ao G1 que lançará “em breve” esse material. 

Dias depois, dois funcionários da Sealf foram exonerados. Renan de Almeida Sargiani e Josiane Toledo Ferreira Silva estavam alocados na Diretoria de Alfabetização Baseada em Evidências e eram, respectivamente, coordenador-geral de Neurociência Cognitiva e Linguística e coordenadora-geral de Avaliação Pedagógica. Segundo o MEC, ambos pediram a exoneração por motivos pessoais.

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