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Primeiro título internacional do Remo completa 70 anos; veja fatos e curiosidades da Taça de Caracas

Por G1
Publicado em 22 de maio de 2020 às 11:07H

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Elenco do Remo que foi campeão Torneio internacional de Caracas — Foto: Arquivo Pessoal/Orlando Ruffeil

O passado reserva histórias muitas vezes curiosas, mas pouco sabidas do grande público. Há anos o historiador e benemérito do Clube do Remo, Orlando Ruffeil, reserva parte do seu tempo a pesquisas e conversas com azulinos de várias gerações para resgatar pelo menos parte dos feitos e preservar a memória do Leão.

Apesar do valor continental, a taça, de grande repercussão local na época, passou anos praticamente esquecida na sala de troféus do Remo, ao lado de tantas outras conquistas.

— Antigamente era muito ruim a comunicação. O Remo tem um livro oficial que foi lançado em 1968 que é totalmente omisso em relação a esse torneio, fala muito efemeramente sobre — explica Orlando Ruffeil.

Orlando Ruffeil se tornou uma referência em pesquisas sobre história do Remo — Foto: Marcelo Seabra/O Liberal

Orlando Ruffeil se tornou uma referência em pesquisas sobre história do Remo — Foto: Marcelo Seabra/O Liberal

A recuperação dessa memória ganhou mais força em 2014, quando o historiador foi encarregado, pelo então presidente Zeca Pirão, de organizar um documento para pleitear o reconhecimento da Taça como um título mundial.

— Não obtive êxito porque a Conmebol alegou que esse torneio, embora internacional, foi só contra times da Venezuela, não teve nenhum time de fora. O que ficou mesmo registrado, que foi muito importante, é que esse torneio deu origem à Libertadores da América, mas anos depois, porque, após o Remo, participaram vários clubes, como Palmeiras, Botafogo, Fluminense. Quando eles participaram já haviam convites para clubes da Europa e da América do Sul — argumenta.

Desde então a Taça passou a ganhar mais destaque na história azulina. Tanto que, em 2016, voltou a ser notícia por ter sido furtada da sede social do Remo. A relíquia foi devolvida no dia seguinte, em enredo até hoje pouco esclarecido – mas que colaborou para permanecer no imaginário da torcida como um dos marcos do remismo.

Taça do Torneio Internacional de Caracas, conquistada pelo Remo em janeiro de 1950 — Foto: Reprodução/RemoTV

Taça do Torneio Internacional de Caracas, conquistada pelo Remo em janeiro de 1950 — Foto: Reprodução/RemoTV

A competição

Depois de nove anos sem títulos, o Remo se organizou no final da década de 40 e montou elenco até hoje considerado estrelar por muitos azulinos. Campeão paraense em 1949 com campanha quase impecável, com direito a goleada sobre o Paysandu na final, o clube recebeu o convite para uma excursão.

— A Federação Venezuelana de Futebol fez uma convocação. O Remo atravessava uma fase muito boa e essa informação chegou até lá. A Venezuela faz fronteira com a Amazônia, então chegou ao conhecimento deles que tinha um clube no Pará que estava com um timaço. O Remo era campeão, jogava bem e aí eles fizeram o convite para disputar a “Pequena Taça do Mundo”, o Mundialito. O Remo aceitou e foi para essa excursão — detalha Orlando Ruffeil

A viagem até o país, que faz fronteira com os estados de Roraima e Amazonas, é uma história à parte.

— Tenho um amigo, o Ramon, militar reformado, que escreveu sobre a odisseia que foi a viagem do Remo para Caracas. Não chegou publicar como livro, mas editou em uma espécie de apostila, onde narra essa odisseia do deslocamento de Belém até Caracas. Ganhei de presente e inclusive vou utilizar algumas partes no meu livro, que pretendo lançar em 2021 — acrescentou o benemérito.

Chegada da delegação registrada por edição de jornal da época — Foto: Reprodução

Chegada da delegação registrada por edição de jornal da época — Foto: Reprodução

O torneio – cujo nome oficial foi “Taça Ministério de Obras Públicas da Venezuela” – foi disputado logo no primeiro mês de 1950. O time paraense encarou cinco adversários venezuelanos:

  • Remo 4 x 0 Únion Sport Club
  • Remo 5 x 0 Escuela Militar
  • Remo 2 x 1 Deportivo Itália
  • Remo 1 x 2 Loyola Sport Club

Todas as partidas foram realizadas no Estádio El Paraíso, entre os dias 14 e 21 de janeiro. Com apenas uma derrota, os azulinos foram aclamados campeões. Para celebrar, no dia 23 foi feito uma exibição contra um combinado formado por jogadores espanhóis. Vitória do Leão por 3 a 0.

— Para os padrões da época, foi um torneio com uma repercussão muito grande, foi uma festa muito grande quando o time retornou a Belém. O Remo já era o mais querido [do estado]. A importância desse torneio para nós, levando em consideração a época, é muito grande, mas a dimensão dele em termos continentais, internacionais, é diminuta — pondera o historiador.

Repercussão do título em jornal da época — Foto: Reprodução

Repercussão do título em jornal da época — Foto: Reprodução

Dois anos depois, a competição ganharia novo formato e mudaria de nome: viraria a “Pequena Taça do Mundo”, com a adesão de clubes da Europa e de outros países da América do Sul. Com alguns períodos de hiato, ela foi disputada pela última vez em 1975.

Curiosidades

Não se sabe se por questões orçamentárias ou logísticas, o Remo provavelmente viajou à Caracas sem um treinador. A escalação era definida pelos próprios jogadores, acredita Ruffeil.

— Eu procurei e não achei [quem era o técnico]. Mais ou menos nos anos 70, eu, conversando lá na sede do Remo com um jogador que fez parte, o Laranjeira, ele me falou que o time foi sem técnico. Os jogadores já tinham time base escalado — revela.

Além de goleiro do Remo durante o torneio de Caracas, Veliz se tornaria técnico do clube durante a década de 50 — Foto: Arquivo Pessoal/Ferreira da Costa

Além de goleiro do Remo durante o torneio de Caracas, Veliz se tornaria técnico do clube durante a década de 50 — Foto: Arquivo Pessoal/Ferreira da Costa

O elenco que esteve em Caracas, por outro lado, é de conhecido. Alguns dos jogadores permanecem como ídolos remistas, como Quiba, Itaguary e Véliz – este, em especial, na memória do pai de Orlando Ruffeil.

— Eu nasci um ano depois, em 1951, mas o meu pai, que era remista fanático, me contou muitas coisas. Meu pai era fã do Véliz, ele o conhecia e o chamava de “Vaca Braba”. Era um goleiro uruguaio sensacional. Eu falava: “pai, melhor que o Dico, não é”, e ele respondia “realmente o Dico é muito bom, mas eu prefiro o Vaca Braba” [risos]. O Remo tinha um timaço — reforça o benemérito.

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