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Número de casos no Pará pode ser oito vezes maior, diz estudo que embasa ação do MPF

Por Dol
Publicado em 26 de abril de 2020 às 06:50H

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Os dados são ainda mais alarmantes do que tem sido divulgado, dizem pesquisadores (Fábio Costa/O Liberal)

As medidas de combate à covid-19 estabelecidas em decreto do Governo do Estado necessitam ser aprimoradas para se evitar o crescimento de casos no Pará, como indica análise científica apresentada pelo Ministério Público Federal (MPF) à Justiça Federal esta semana.

O envio da análise reforça pedidos do MPF e da Defensoria Pública da União (DPU) apresentados em ação ajuizada no último dia 16 – com destaque para o pedido de suspensão urgente das atividades não essenciais –, e aponta um dado alarmante: segundo os pesquisadores, o número real de casos ativos da doença no estado pode ser cerca de oito vezes maior que o número oficialmente divulgado.

Como informa o MPF, os autores do estudo “Covid-19: Um novo modelo Seir [Suscetível, Exposto, Infeccioso, Recuperado] para países em desenvolvimento – estudo de caso para a Região Metropolitana de Belém”: “Há a necessidade de ampliar sobremaneira o isolamento social e de maneira imediata, já que, em pandemias, cada dia significa um acúmulo brutal de mortes e novas contaminações”. Os pesquisadores analisaram o decreto estadual a pedido de membros do MPF.

Para os cientistas, as restrições do decreto estadual 609/2020 são importantes, mas não o suficiente para atingir índices de isolamento social da população de 70% ou maiores, que são os níveis internacionalmente recomendados como efetivos para a redução de contágio e de propagação da pandemia.

Eles alertam que a  urgência da ampliação do distanciamento social se torna mais evidente em um momento em que há claro esgotamento do sistema de saúde do Pará e, especialmente, de Belém, e em que também há um evidente grau de subnotificação.

Integrantes da Universidade Federal do Pará (UFPA), Universidade Federal Rural da Amazônia (UFRA), Universidade de São Paulo (USP), Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), os especialistas apontam que somente após a redução de 80% da taxa de contaminação é que ocorre a brusca redução de mortes e da demanda por leitos de Unidades de Terapia Intensiva (UTIs). “Decisões como a vedação [proibição] em larga escala das atividades não essenciais podem sim aumentar a eficácia do isolamento social e consequente redução da taxa de contágio”, enfatizam.
Subnotificação

Ao tratar da subnotificação da doença no Pará, os pesquisadores estimam números muito mais preocupantes que os oficiais. A partir de análise que tomou como base apenas dados divulgados pela Secretaria Municipal de Saúde (Sesma) de Belém sobre o número de leitos de UTI ocupados na capital paraense na última segunda-feira (20) – a Sesma divulgou que cem leitos estavam ocupados naquele dia por pacientes com sintomas da covid-19 –, os cientistas estimaram que os casos ativos da doença, naquela data, poderiam estar em torno de 7.575, muito acima dos 902 registros oficiais de casos em todo o Estado, segundo a Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa). 
“Esse número pode ser ainda maior, já que não consideramos aqui os demais dados de hospitalização do Estado”, ressaltam os pesquisadores consultados.

Os cientistas criticaram a falta, no decreto estadual, de alguma estratégia de testes em massa ou de rastreamento de contatos. Eles observaram que, ao lado do isolamento social, a realização de testes em massa é uma das premissas elementares para o enfrentamento à pandemia, porque permite a obtenção de métricas extremamente realistas dos casos confirmados, possibilitando o isolamento efetivo de pessoas infectadas.

Urgência negada 
 

Também durante esta semana, o MPF pediu que a Justiça Federal decidisse sobre os pedidos da ação com a máxima urgência, sem ouvir antes o Estado do Pará, principalmente tendo em vista o colapso do sistema de saúde de Belém. A Justiça negou o pedido.

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