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Pandemia gera grande impacto na doação e nos transplantes de órgãos no Pará

Por ORM
Publicado em 31 de maio de 2020 às 17:42H

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Heart transplant and organ donation concept. Hand is giving red heart.

A pandemia da covid-19, ocasionada pelo novo coronavírus, gera grande impacto na doação e transplantes de órgão no Pará. As medidas de isolamento social, iniciadas no Pará na terceira semana de março, ajudou na redução de 19% nas notificação de morte encefálica, já que as Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) passaram a ficar lotadas pelos pacientes da covid-19. Porém, a queda de mortes encefálicas levou à diminuição de 71% da doação de efetiva de órgãos e 63% de transplante renal. Isso reflete diretamente no decréscimo, principalmente, dos transplantes renais, e de córneas.0

Os dados são da Central Estadual de Transplantes (CET-PA) da Secretaria de Estado de Saúde (Sespa). A estimativa leva em conta os meses de janeiro a abril deste ano em relação ao mesmo período de 2019. Hoje o Pará ocupa o 19º lugar no ranking nacional de doação de transplante de órgãos, no primeiro trimestre de 2020. Já em relação ao transplante renal, o Estado ocupa a 15ª posição entre 21 estados brasileiros.

As vítimas da covid-19, em caso de morte, não podem ser doadoras, para não repassar o vírus para o receptor. Quem se recuperou da doença só pode doar se tiver resultado negativo para exame específico (RPPC) feito em laboratório. Ainda segundo a CET-PA, o procedimento foi incluído para todos os candidatos a doadores de órgãos no Pará. A nova medida poderá levar ao aumento do tempo na fila espera pelo transplante, já que o crivo fica menor. No Pará, existem hoje 360 pacientes na fila à espera de transplante de rim e 900 aguardam pelo transplante de córnea. O tempo de espera hoje está entre dois a três anos.

Mesmo com a queda, segundo a biomédica Ierecê Miranda, coordenadora da CET-PA, os transplantes de órgãos, no Pará, não deixam de acontecer. “No Estado fazemos transplante de rim, mas, apesar da queda, estamos realizando os procedimentos eletivos e os de urgência. Quanto ao transplante de córnea, ocorre hoje só em caso de urgência. O doador de órgãos se encontra nas UTIs e neste período de pandemia elas foram ocupadas por pacientes da covid-19. Além disso, o isolamento social contribuiu para redução de mortes violentas – principal causa de morte encefálica”, explica Ierecê, que é especialista em doação em transplante.

Ierecê Miranda, coordenadora da Central de Transplantes

Ierecê Miranda, coordenadora da Central de Transplantes (Divulgação)

Ainda de acordo com dados da Central, de março a abril de 2019, ocorreram 19 transplantes de rim no Pará. Nesse mesmo tempo, em 2020, foram sete. Isto é, 12 a menos. Já de córnea, de janeiro a abril, foram 58 transplantes. E, de janeiro a abril de 2020, foram 92. Ou seja, queda de 34. Já a doação de rim de pessoas falecidas, de janeiro a abril de 2019, foram sete. Neste mesmo período, em 2020, foram dois. Assim, são cinco a menos. Já a doação de tecido de córnea, de janeiro a abril de 2019, foram 48. E, de janeiro a abril de 2020, 34 córneas. isto é, a diminuição alcançou 14. O primeiro caso de covid-19 no Pará foi confirmado em Belém, dia 18 de março deste ano.

“O impacto na doação de córneas foi mais significativo de março a abril deste ano, período de maior impacto da covid-19 no Pará, e chegou à redução de 83% de doador efetivo de córnea. Quanto ao transplante de córnea, até abril, não houve redução comparado com 2019, pois estes transplantes foram garantidos em grande parte (60%) pela oferta de córneas captadas em outros estados brasileiros, que conseguiram captar córneas antes do pico da covid-19”, explica a coordenadora da CET-PA.

Covid-19 leva transplantado renal de volta para a hemodiálise e à fila de espera por novo órgão

Desde que a pandemia chegou no Pará, já morreram pelo covid-19 pelo menos 50 pacientes em hemodiálise. Destes seis eram transplantados renais, segundo informa Belina Soares, diretora e fundadora da Associação dos Renais Crônicos e Transplantados do Estado do Pará (ARCT-PA). Ainda segundo ela, um dos maiores problemas enfrentados pelos paciente transplantados que têm covid-19 é porque eles precisam suspender medicações específicas (os imunossupressores) do tratamento renal – o que leva à morte e à diálise. 

Um dos transplantados renais que voltou para a diálise e à fila de espera por um novo órgão foi o cobrador de transporte alternativo e vendedor autônomo Pedro Paulo dos Santos, 37 anos. Desde os nove anos de idade, ele foi transplantado renal por duas vezes, mas, no final de março deste ano, teve a covid-19, foi internado em um hospital público e já recebeu alta clínica. 

“Vi a morte de muitas pessoas no hospital. Pensei que ia morrer também. É muito triste não poder ajudar. Mas, graças a Deus e à equipe médica, passei por essa etapa e consegui vencer a covid-19. Tive um choque enorme por perder meu rim e ter meu pulmão afetado 70%, mas estou muito feliz por estar vivo e não ter morrido pela covid. Agora, é recomeçar tudo de novo”, conta Paulo dos Santos.

Para saber quem pode, como ser doador e outras questões, contacte pelo e-mail ([email protected]) e telefones (91 – 98115-2941 – funciona 24 horas – e 91 32223 8168 – horário comercial).

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