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Dexametasona é um dos quatro corticoides utilizados em pacientes graves da covid-19 no Pará

Por ORM
Publicado em 21 de junho de 2020 às 19:40H

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Pesquisadores da Universidade Britânica de Oxford afirmaram que a Dexametasona pode ser o primeiro medicamento que reduz as mortes pela covid-19. Segundo o estudo preliminar, o corticoide se mostrou ser efetivo para os quadros graves da doença. Os resultados são preliminares e foram divulgados nesta terça-feira (16) na página oficial do estudo Recovery, que estuda diversas medicações contra o novo coronavírus. A Dexametasona já é um dos quatro corticoides utilizados em pacientes da covid-19 no Pará, depois da Metilprednisolona. Além delas, estão a Prednisona e Hidrocortizona. 

Na pesquisa dois mil pacientes hospitalizados receberam o corticoide Dexametasona e foram comparados a mais de quatro mil que não tomaram o remédio. Para os pacientes em respiradores a mortalidade caiu 35%. Já para pacientes que precisavam apenas de oxigênio a queda foi de 20%. Os corticoides agem no corpo reduzindo as inflamações, um dos problemas causados pela covid-19. A doença faz com que o sistema imunológico trabalhe para combater o coronavírus e essa reação forte fora do controle pode ser fatal.  

Por isso, a  Dexametasona é recomendada apenas para pacientes graves. “Os corticoides atuam na inflamação e por isso a Dexametasona é usada em casos graves e avançados da doença. Não é usada em quadro leve nem inicial, porque ainda tem muito vírus no corpo. Se a Dexametasona ajuda a diminuir a resposta inflamatória do nosso corpo ao vírus, se for usada em quadro inicial pode prejudicar a resposta do corpo à presença do vírus e isso é maléfico. A fase inflamatória, em geral, ocorre a partir do quinto dia de infecção pelo vírus”,  afirma o  médico infectologista Lourival Marsola.   

Ainda segundo ele, na covid grave há resposta inflamatória do corpo muito intensa e alguns corticoides já são utilizadas também no Pará como rotina inclusive a Dexametasona. “Mas ela não era o corticoide que estava sendo preconizado nestas situações. Quando estava sendo usada, a dose era alta. Porque os corticoides têm efeitos colaterais importantes a curto e longo prazo. Alguns até com resultados graves, como retenção de água em exagero, pressão alta, descompensação do diabetes, porque aumenta o açúcar. Nosso corpo já produz corticoides naturalmente e quando toma o corticoide acaba suprimindo a produção natural até o ponto que o corpo pode até nem mais produzir normalmente. Se tomar dose alta, pode ter efeitos graves. Por isso precisa ser feita sob monitoramento médico”, alerta Marsola. 

Ainda segundo ele, que é coordenador de Vigilância em Saúde do Hospital Universitário João de Barros Barreto, um dos 11 hospitais de referência em covid-19 no Pará, além da Dexametasona, outros corticoides mais usados na assistência à saúde inclusive no Pará são a Metilprednisolona, Prednisona e Hidrocortizona. “A Metilprednisolona é mais usada para covid que a Dexametasona”. Há algumas doenças que contraindicam o uso de corticoides como pacientes cardíacos, renais hepáticas, diabetes, Aids e outras doenças de baixa defesa. “Só podem usar sob controle de um profissional de saúde”, reitera o infectologista. 

Corticoides não têm ação antiviral

O infectologista Marsola esclarece que os corticoides não têm ação contra o vírus. Neste caso cabe a atuação de antiviral. Em relação aos antivirais para a covid-19, ele frisa que ainda não há resposta sobre os resultados terapêuticos deles. “Cada vez mais os estudos vêm somando ao não uso da cloroquina ou da hidroxicloroquina como uso para antiviral. O uso da medicação depende do protocolo da instituição. Algumas não estão mais utilizando a hidroxicloroquina”. 

Nos hospitais universitários da rede federal brasileira, por exemplo, os estudiosos todos colocam ação duvidosa e orientam somente utilizar a cloroquina e a  hidroxicloroquina se for em estudo clínico. “Ou seja, se for comparar se tem efeitos ou não ao usar de rotina. Existem alguns antivirais em estudos com melhores respostas e um dos mais promissores é o Remdesivir, mas esta medicação ainda nem tem no Brasil para ser utilizada”, informa Marsola, coordenador de Vigilância em Saúde do Barros Barreto, do Complexo Hospitalar da Universidade Federal do Pará/Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares. 

Ainda diante de várias incertezas em relação ao tratamento para a covid-19, o infectologista explica que a melhor medida tomada hoje é por meio do tratamento de suporte. “80% pelo menos dos casos são leves e a forma gripal da doença. O problema da covid-19 é realmente a resposta inflamatória em algumas pessoas e elas devem estar em observação, internadas, recebendo suporte de oxigênio, se precisar, com o estudo agora mostrando a validação de dose baixa de da Dexametasona e esperar a reação do corpo. É essa a forma de tratamento hoje”, afirma. 

Para Marsola, o estudo da Universidade Britânica de Oxford tem bom resultado inicial. “É uma comprovação boa e uma arma a mais para usarmos na fase grave da doença dos pacientes. Mas vamos aguardar o resultado final”, pondera.  A expectativa dos médicos é ainda grande pela descoberta da vacina, para prevenção, e de antiviral, que possa ser usado e impeça a evolução das formas graves da covid-19. 

A Secretaria de Saúde do Estado (Sespa) foi procurada para falar sobre os protocolos e a utilização de corticoides e antivirais no Estado, mas não se manifestou sobre o assunto. 

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