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Morre bebê prematuro que respirava com copo plástico improvisado em hospital do Marajó

Por O Liberal
Publicado em 03 de janeiro de 2020 às 17:42H

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O bebê segue em estado delicado e não consegue respirar sem a ajuda do aparelho, ainda que improvisado (Divulgação

Faleceu no início da tarde desta sexta-feira (3) o bebê Wendrio Lucas Barbosa, que nasceu prematuro no primeiro dia do ano, em Cachoeira do Arari, no Arquipélago do Marajó, e cuja família denunciou falta de estrutura no hospital municipal. O recém-nascido de sete meses respirava com a ajuda de uma máscara de oxigênio improvisada com um copo plástico. Wendrio estava em estado delicado. Não respirava adequadamente e não conseguia se alimentar. O improviso e a demora para uma transferência revoltaram familiares e amigos, que denunciaram a situação esta manhã, por telefone, à redação integrada de O Liberal.

Até o início da tarde, a mãe, Dioelene Barbosa, de 24 anos, seguia aguardando a transferência. Ela ainda sente dores, mas diz estar sendo atendida e tinha como principal preocupação a saúde de Wendrio. “Meu filho não pode ficar sem oxigênio. Por isso, nem consegue mamar. É um problema respiratório, mas não sei o que é. Dizem que vão procurar leito, mas até agora nada. E ele continua nesse improviso com o copo plástico. Se tirar, ele fica roxo e sem ar”, relatou esta sexta à reportagem.

Foi uma amiga de Diolene que denunciou o caso à Redação Integrada de O Liberal. Ela — a identidade será preservada — está revoltada e tem ajudado a mãe como pode. Foi ela quem fez fotos e um vídeo, comprovando que o bebê, na manhã desta sexta-feira (3), continuava respirando com aparelhos improvisados. “Eu nem consigo mais informações porque não sou da família e se recusam a me dizer qualquer coisa. Dizem que estão procurando leito, mas acho que isso não é verdade”, criticou a denunciante.

Após confirmar as denúncias, a redação integrada de O Liberal entrou em contato esta manhã com a Prefeitura de Cachoeira do Arari e com o médico que fez o procedimento no Marajó. A secretária municipal de Assistência Social, Juliete Miranda, e o prefeito Jaime da Silva Barbosa receberam as fotos e vídeo. Garantiram que iriam tomar providências urgentes para solucionar o caso.

A reportagem ouviu também o médico Márcio França, que estava atendendo Diolene e Wendrio no hospital de Cachoeira do Arari. França disse à reportagem que esse tipo de improviso na saúde pública é comum pelo Brasil, e mais ainda em regiões pobres como o Arquipélago do Marajó. Segundo ele relatou, não fossem máscaras de oxigênio no copo plástico como essas, muitos bebês já teriam morrido no País.

Minutos antes de confirmar a morte do bebê, o secretário municipal de Saúde de Cachoeira do Arari, Benedito Lalor, afirmou ainda no início da tarde que o recém-nascido Wendrio e a mãe Diolene Barbosa já teriam um leito garantido no Hospital de Barcarena. Porém, a equipe médica estaria ainda aguardando o resgate aéreo para fazer o transporte deles. “Infelizmente, resgate aéreo para hoje [3 de janeiro] é impossível. Já havia demanda agendada e a previsão é de tempo fechado para nossa região”.

Em contato com redação, o Conselho Regional de Medicina disse que vai se pronunciar sobre a denúncia em nota. Também procurado para comentar o caso ainda pela manhã, o Conselho Regional de Enfermagem no Pará (Coren-PA) disse inicialmente que não emitiria nota a respeito do ocorrido. Neste início de tarde, a reportagem procurou mais uma vez o Coren-PA para comentar a morte do bebê e o procedimento de atendimento realizado com copo plástico. A entidade manteve novamente a posição de não se pronunciar sobre a morte.

“Lamentamos profundamente, mas não foi por negligência, pois desde ontem vínhamos lutando pelo leito. Esbarramos no resgate [aéreo], pelo tempo fechado na região”, limitou-se a dizer o secretário municipal de Saúde de Cachoeira do Arari, Benedito Lalor, ao confirmar a morte do recé-nascido.

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