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No interior do Pará, queimadas e covid-19 aumentam riscos à saúde

Por ORM
Publicado em 07 de julho de 2020 às 11:21H

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Além de causarem prejuízos ao Meio Ambiente, as queimadas também afetam diretamente a saúde dos moradores das regiões (Victor Moriyama / Greenpeace)

Em meio à pandemia da covid-19, o aumento dos índices de queimadas na Amazônia, que é recorrente durante o verão, período de maior seca da floresta, representa um risco maior à saúde, pois, por conta da fumaça, o comprometimento pulmonar pode ser mais grave. Organizações não governamentais, como a The Nature Conservancy, uma das maiores de conservação ambiental do mundo, já iniciaram campanhas para esclarecer principalmente aos produtores rurais das regiões sul e sudeste do Pará sobre os riscos do fogo.

Um dos instrumentos da campanha da TNC é o programa de rádio “Floresta Sem Fogo”, que é veiculado nas principais emissoras das cidades de Altamira, São Félix do Xingu, Tucumã, Anapu e Senador José Porfírio. A expectativa é que um público ouvinte de, no mínimo, cinco mil pessoas, seja alcançado com as transmissões. No primeiro programa, o tema abordado foi justamente os perigos que o fogo e a fumaça trazem para a saúde.

O  vice-gerente de restauração florestal da The Nature Conservancy (TNC) Brasil, Rodrigo Freire, alerta que os riscos incluem desde o fogo provocado por pequenas queimadas até os incêndios florestais. “É importante lembrar que passamos por um período de pandemia, devido à covid-19, que ataca as vias respiratórias”, reforçou.

“No Estado do Pará, esse é o momento que acontece o maior número de focos de queimadas e incêndios, com muita fumaça no ar, provocando o aumento dos casos de internação de pessoas com problemas respiratórios causados pela fumaça, sobrecarregando, ainda mais, o sistema de saúde”, acrescentou Rodrigo.


Idosos e crianças

A fumaça das queimadas da Amazônia costuma afetar principalmente as crianças, ainda que tenha impacto também na saúde de idosos, grupo de risco para a covid-19. A pesquisadora Sandra Hacon, da Escola Nacional de Saúde Pública da Fiocruz, explica que as crianças são mais vulneráveis à fumaça das queimadas porque o pulmão ainda está em desenvolvimento. “A criança começa a apresentar um quadro de redução da função pulmonar e isso traz problemas como asma”, afirmou.

Nos idosos, a fumaça atua como agente irritante de vias áreas e pode agravar doenças pré-existentes. A fumaça das queimadas tem compostos tóxicos, como, por exemplo, monóxido de carbono, dióxido de carbono e óxidos de nitrogênio, além de materiais particulados, com alta capacidade de dispersão, o que faz com que a fuligem possa chegar a locais distantes dos focos de incêndio, ainda de acordo com a especialista da Fiocruz.

A pesquisadora das universidades britânicas de Oxford e Lancaster, Erika Berenguer, especialista em degradação florestal, afirma que qualquer problema respiratório, sobretudo neste momento de pandemia é arriscado. “A soma da covid-19 com queimadas é a tempestade perfeita para termos um pico de morte nos estados do Norte por causa de problemas respiratórios”.

A diretora de alta e média complexidades da Secretaria de Saúde de Redenção, Ágda Cleide, confirma a preocupação. “A rede pública de saúde do município já conta com poucos leitos disponíveis para atender a demanda da Covid-19, se somarmos mais dezenas de pacientes, vítimas da fumaça das queimadas, nosso sistema de saúde entrará em colapso”, pontua Ágda.

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