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Tucuruí, 16 de November de 2019
Sistema Floresta

Em 25 anos o Pará vai ter mais idosos do que crianças

Por Dol
Publicado em 23 de outubro de 2019 às 11:23H

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A população paraense já caminha rumo ao envelhecimento. Projeções realizadas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontam que, daqui a apenas 25 anos, o Pará já concentrará mais idosos do que crianças. Em 2060, um em cada quatro paraenses será idoso, quando o Estado passará dos atuais 764 mil idosos para uma população de 2,7 milhões de pessoas acima dos 60 anos.

Os fatores que explicam tal tendência observada no país como um todo são variados. No caso específico do Pará, o IBGE destaca a queda das taxas de mortalidade infantil, a ampliação da rede de atendimento do Sistema Único de Saúde (SUS) e a adoção de políticas públicas de saneamento básico nas áreas de grande concentração populacional.

“A esperança de vida do paraense ao nascer aumentará de 72 anos, em 2019, para 77 anos em 2060”, aponta o instituto. “Outro fator de envelhecimento da população é a queda na taxa de fecundidade da mulher paraense. Em 2019 a média de filhos nascidos na idade reprodutiva feminina é de 1,91 filhos e, em 2060, será de 1,8 filhos”.

Com uma quantidade cada vez menor de nascimentos e com os avanços proporcionados pela medicina no tratamento das mais diversas doenças, o surgimento de uma população mais madura já é realidade. Porém, além de alcançar um aumento da longevidade, o que se precisa ter em mente é a qualidade com que se viverá ao longo dos muitos anos de vida que seguem após os 60 anos, idade a partir da qual uma pessoa é considerada idosa, segundo o Estatuto do Idoso.

Geriatra, a médica Nezilour Rodrigues destaca que é muito importante garantir um envelhecimento ativo. “O conceito de envelhecimento ativo foi proposto pela Organização Mundial de Saúde (OMS) nos anos 90 e consiste num processo de consolidação de oportunidades para a saúde, objetivando melhorar a qualidade de vida”, esclarece.

PROCESSO

“O envelhecimento é um processo que deve ser vivido de forma saudável e autônoma, para que seja ativo. Aquele em que a pessoa vai envelhecer com funcionalidade, com independência e autonomia, capaz de gerenciar a própria vida”. A médica reforça que o envelhecimento é um processo heterogêneo, na medida em que seus efeitos variam de pessoa para pessoa. Um senhor com 90 anos de idade, por exemplo, pode viver com mais autonomia do que um que tenha 60, a depender das experiências vividas ao logo da vida.

ENVELHECIMENTO SAUDÁVEL

Tripé para envelhecer com qualidade de vida

1- Saúde

2- Segurança (social, psicológica e física)

3- Participação (na vida social, cultural, econômica da sociedade)

Busca por um envelhecimento saudável deve iniciar na juventude

Mauro Ângelo/Diário do Pará

Ainda que a Política Nacional do Idoso aponte as diretrizes que devem ser seguidas no desenvolvimento de políticas públicas para este segmento da população desde 1994, o poder público e a sociedade como um todo ainda buscam o ideal.

Quando se trata de alcançar meios que garantam um envelhecimento com qualidade de vida e autonomia, porém, a presidente da Comissão de Defesa dos Direitos da Pessoa Idosa da Ordem dos Advogados do Brasil no Pará (OAB-PA), Letícia Bitar destaca que as políticas devem estar voltadas à prevenção.

A advogada destaca que o envelhecimento da população segue em um ritmo tão veloz que quase nunca se consegue alcançar e acompanhar as projeções. A perspectiva é a de que, ao chegar a 2060, o Estado do Pará possivelmente já tenha superado a projeção atual de 1 a 4 paraenses serem idosos.

Nesse sentido, a busca por meios que levem a um envelhecimento saudável deve iniciar ainda na juventude. “Viver mais e com qualidade de vida, autonomia e independência é o que almejamos. Mas, para isso, as políticas públicas que existem precisam se adequar e colocar sempre como objetivo principal trabalhar a prevenção”.

Ao mesmo tempo em que, segundo Letícia Bitar, a legislação brasileira é avançada no que se refere à proteção aos direitos fundamentais da pessoa idosa, a advogada destaca que “vivemos um contrassenso porque estamos envelhecendo, mas não nos preparamos para isso”, avalia. “Pensar em envelhecimento depois que se completa 60 anos não é o ideal. Então precisamos nos preparar para esse envelhecimento não somente o indivíduo, mas também enquanto sociedade e o poder público, quando se preocupa em aplicar as políticas adequadas para esse grupo de pessoas”.

Para a presidente da comissão do idoso da OAB, para que tenham o efeito desejado, as políticas precisam ser construídas de baixo para cima, em uma visão hierárquica que ouça as necessidades dos idosos e dali partam as políticas, e não no sentido contrário, de cima para baixo.

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