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Ex-ministro Alexandre Padilha é suspeito de ligação com doleiro

Por G1
Publicado em 25 de abril de 2014 às 02:22H

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A Polícia Federal levantou a suspeita de que o ex-ministro da Saúde e pré-candidato do PT ao governo de São Paulo, Alexandre Padilha, indicou um executivo para empresa de fachada controlada por doleiro.

A empresa tentou fechar contratos milionários com o Ministério da Saúde. O ex-ministro pronunciou-se de forma veemente contra o que foi divulgado.

O nome Padilha aparece no relatório da Polícia Federal sobre a troca de mensagens entre o doleiro Alberto Youssef, que responde na Justiça Federal por um esquema de lavagem de R$ 10 bilhões, e o deputado licenciado do PT do Paraná, André Vargas.

A Polícia Federal diz que é, possivelmente, o ex-ministro da saúde, Alexandre Padilha. No dia 28 de novembro do ano passado, André Vargas e Youssef trocam mensagens de celular. O deputado licenciado diz a Alberto Youssef que Padilha indicou um executivo para o Labogen, laboratório que chegou a firmar parceria com o Ministério da Saúde, mas não recebeu recursos.

Vargas diz: “Achei o executivo”.

Youssef responde: “Ótimo, traga ele para nos reunirmos e contratarmos”.

Vargas responde: “Sexta ele estará aí. Dá o número do celular e fala que é Marcos, estará em São Paulo no dia seguinte ou segunda e que foi o Padilha que indicou”.

Segundo o relatório, Marcos é Marcuz Cezar Ferreira de Moura, que foi coordenador de promoção de eventos da assessoria de comunicação do Ministério da Saúde na gestão de Padilha.

Para a PF, existem indícios que os envolvidos tinham uma grande preocupação em colocar à frente do Labogen alguém que não levantasse suspeitas das autoridades fiscalizadoras.

Em São Paulo, o ex-ministro Alexandre Padilha negou as acusações. “Repudio o uso do meu nome. Fico indignado que uma inferência, a partir de troca de mensagens de terceiros, querer relacionar o meu nome em qualquer indicação para qualquer laboratório privado”, defende Padilha.

A investigação menciona também o deputado federal Cândido Vaccarezza, do PT de São Paulo. Nessa troca de mensagens, do dia 25 de setembro do ano passado, Youssef diz a André Vargas: “achei que você estivesse aqui na casa do Vacarezza”. André Vargas responde: “Tô indo”.

A polícia conclui: o doleiro Alberto Youssef mantinha relações com o deputado federal Cândido Vaccarezza, inclusive indicando que houve uma reunião na casa do deputado.

Em Goiânia, o deputado Vaccarezza negou: “Nunca houve reunião na minha casa com a presença do Sr. Youssef. Eu estive com ele apresentado por André Vargas. Nunca tive nenhuma relação de amizade com ele, nem conhecimento”.

Ao longo do relatório, a Polícia Federal deixa clara a proximidade entre o doleiro e o deputado André Vargas, que combinam caronas e até uma visita para tomar café na casa do parlamentar. Também acertam os detalhes da viagem de férias de Vargas, para João Pessoa (PB), em um jatinho fretado por Youssef.

Ao final da conversa, o doleiro deseja “Boa viagem e boas férias”. André Vargas responde: “Valeu”.

O deputado licenciado André Vargas disse que vai responder a todos os questionamentos e que vazamentos seletivos e fora do contexto não podem servir para qualquer pré-julgamento.

André Vargas afirmou, ainda, que o ex-ministro Alexandre Padilha não indicou ninguém para o laboratório Labogen. Carlos Borges não foi localizado para comentar as denúncias.

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