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Apoio psicológico é fundamental no tratamento do câncer de mama, afirmam especialistas

Por Agência Pará
Publicado em 25 de outubro de 2021 às 20:43H

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O câncer de mama é o segundo mais comum entre mulheres, depois do de pele

Desde a descoberta às demais fases do adoecimento, o impacto psicológico causado pelo câncer de mama traz uma considerável repercussão especialmente na vida da mulher. O diagnóstico pode aguçar os sintomas de uma série de sentimentos, como ansiedade, tristeza, desespero, susto e estado de choque, que estão relacionados ao medo de perder os seios. É por esse motivo que a saúde mental requer atenção especial durante e ao final do tratamento, defendem os especialistas na área.

Quando a paciente tem o conhecimento, compreensão e apoio psicológico nesse momento, é possível compreender os sentimentos que podem interferir na resposta ao tratamento. Portanto, é importante promover o acompanhamento multiprofissional a pacientes com dedicação de forma a proporcionar a confiança necessária na recuperação da saúde no sentido mais amplo.

A psicóloga Roberta Santos, do Hospital Ophir Loyola, referência em oncologia no Pará, explica que logo no primeiro contato é verificado o quanto a paciente está ciente do seu quadro clínico para, posteriormente, alcançar todos os aspectos psicossociais, que podem trazer prejuízos emocionais e, consequentemente, seguir para a evolução positiva do tratamento oncológico.

“Sempre tento fazer com que a paciente reflita sobre os valores, os hábitos e os costumes de vida para que ela possa ver esse novo ciclo como um marco de reinício de vida. É importante ressignificar esse momento para criar novos objetivos a partir da cura”, afirmou.    

A costureira Marli Pereira, 58 anos, moradora de Icoaraci, entrou em choque quando descobriu em 2019 que estava com o tumor maligno no seio. Ela descreve o dia em que recebeu a notícia como o pior dia da vida dela . “Não gosto nem de falar o nome da doença, pois é uma enfermidade que dá uma rasteira na gente”, declarou.

Marli realizou sessões de quimioterapia, fez a cirurgia de retirada de tumor e iniciará o tratamento de radioterapia. “O apoio da Dra. Roberta foi essencial, ela tira o medo da gente, nos coloca pra cima. Nas primeiras vezes, eu entrava chorando no consultório. Hoje já faço as consultas mais tranquila, não choro mais e me sinto melhor após a cirurgia”, concluiu. 

Resignificação

Os aspectos que mais refletem na autoestima da mulher são os temores que o câncer de mama traz. Segundo Roberta Santos, com retirada parcial ou total dos seios, órgãos que em muitas culturas desempenham função significativa, muitos conflitos internos são gerados. “Não somente estética, mas fantasias e intimidades ficam comprometidas. O medo que elas têm da autoimagem e da sexualidade é comum, por isso o trabalho do psicólogo também é importante para que elas percebam que isso é momentâneo”, diz.

A mulher pode se tornar fria, distante e se recusar a ter relações sexuais. A relação com os maridos ou parceiros pode ser afetada, no entanto, o apoio do companheiro é muito importante, embora seja uma situação de dificuldade e aceitação compattilhada. Por não se achar mais atraente e que não é capaz de trocar intimidades, antes comuns, o suporte psicológico deve ser oferecido ao casal. A cumplicidade e a confiança estabelecida nesse relacionamento também serão um dos fatores de peso para a condução da resolução do problema.

“O desejo sexual é muito peculiar a cada casal e de como elas irão lidar. Conforme nós conseguimos trabalhar esse resgate de ressignificação, a autoestima também está sendo trabalhada, tira o peso todo da autoimagem e da cobrança do corpo perfeito. As pacientes compreendem que o seio está doente, mas quando elas se olham de forma diferente esse fardo fica mais leve para lidar com o parceiro” explicou a psicóloga. 

A batedora de açaí Antônia Costa, 51 anos, está há seis anos em tratamento no HOL, onde realizou quimioterapia, radioterapia e a cirurgia de retirada do tumor. “A doença foi muito agressiva para mim, é uma experiência que não desejo para o meu pior inimigo. Eu sentia vontade de morrer e ficava muito triste quando me olhava no espelho. A minha família me ajudou muito, também tive ajuda psicológica maravilhosa do hospital, foram pessoas muito importantes para mim. Não caí em depressão por causa da ajuda que tive e fez com que eu me sentisse mais forte, com vontade de viver e hoje eu vivo com mais clareza ” contou Antônia.

Além dos atendimentos com as pacientes, os psicólogos do Ophir Loyola também auxiliam os familiares, pois eles fazem parte e acompanham todo o processo junto com o enfermo. “Conscientizar sobre o diagnóstico, o tratamento e orientar sobre os cuidados com a paciente até em como inseri-la na rotina sem rotulá-la, é nosso trabalho”, acrescentou Roberta. 

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