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Belém é a terceira capital do país com menos fumantes

Por ORM
Publicado em 29 de agosto de 2019 às 08:00H

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Belém tem reduzido o número de fumantes com o passar dos anos, dizem as pesquisas (Marcos Santos / USP)

No Dia Nacional de Combate ao Tabagismo, celebrado nesta quinta-feira (29), há motivos para comemorar. Dados do Sistema de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel) revelam que 9,3% dos brasileiros afirmaram ter o hábito de fumar, em 2018. Em 2006 o índice era de 15,6%. Nos últimos 12 anos, a população entrevistada reduziu em 40% o consumo do tabaco. Belém foi a terceira capital do país com menor taxa de tabagismo: apenas 4,9% da população afirmou possuir hábito de fumar. Na cidade foram entrevistadas 2.000 pessoas, sendo 706 homens e 1.294 mulheres.

Mesmo com a queda constante nos casos desde 2006, o pneumologista Carlos Albério destaca: o hábito é nocivo para a saúde e o tabagismo é uma das mais altas dependências químicas, já que contém nicotina na composição. O vício é responsável pela Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC), além de doenças respiratórias e cardiorrespiratórias, como Acidente Vascular Cerebral (AVC), doenças vasculares periféricas ligadas à aterosclerose e, principalmente, os cânceres de pulmão, gástrico, mama, bexiga e outras.

“O tabagismo ainda é o principal fator das doenças do sistema respiratório, uma vez que pessoas fumantes, inclusive as passivas, possuem chances maiores de desenvolver câncer de pulmão. A fumaça que o cigarro deposita no pulmão contém mais de 4,7 mil substâncias tóxicas para o organismo – muitas delas cancerígenas. Por isso, o tabagismo é considerado a principal causa de morte evitável pela Organização Mundial da Saúde (OMS)”, frisa o especialista. 

COMEÇOU COMO BRINCADEIRA

Desde os 15 anos, a garçonete Ana Lúcia Souza, 48 anos, era fumante – e tudo iniciou como uma brincadeira. “Comecei por curiosidade e quando estava ansiosa ou nervosa chegava a fumar três carteiras por dia. Tentei parar várias vezes e não conseguia. Passei a sentir dores no peito e nas costas, falta de ar e muito cansaço quando fazia atividades simples. Um dia tiveram que me socorrer, porque não conseguia respirar e fiquei com muito medo de morrer.”

Somente depois desse episódio, ocorrido há seis anos, ela começou os esforços para parar de fumar e eliminar outros vícios. “Parei de beber álcool e diminuir a ingestão de café, consegui largar o cigarro. Em casa e no trabalho eu era a única que ainda fumava, isso me ajudou também. Hoje faço coisas que quando fumava não fazia, me sinto muito bem e feliz.”

Carlos Albério destaca que a diminuição nos casos no Brasil é resultado da implementação de vários programas, campanhas e leis criadas à restrição do tabagismo em lugares públicos no País, além da divulgação nos meios de comunicação sobre os prejuízos à saúde das pessoas.

CIGARRO ELETRÔNICO TAMBÉM FAZ MAL

Devido à queda no consumo, o médico alerta ainda a população para as novas modalidades da indústria tabagista, como o cigarro eletrônico. “Temos observado que a indústria do tabaco tem buscado alternativas relacionadas ao uso para manter seu mercado, principalmente junto aos jovens. A nova investida é o famoso cigarro eletrônico, dizendo que não causa problemas.  Mas não é verdade, pois pesquisas, principalmente nos EUA, mostram que no líquido aquecido por uma bateria do cigarro contém nicotina, então mantém a dependência química do paciente e já foram encontradas sustâncias tóxicas inclusive metais pesados que têm potencial cancerígeno”, alerta o pneumologista.

Para ele, as datas de combate ao tabagismo são importantes inclusive para reforçar as ações nacionais, esclarecer e mobilizar a população sobre doenças evitáveis e morte precoce associadas ao tabagismo.

CÂNCER E CIGARRO: TUDO A VER 

O câncer é uma das principais consequências do tabagismo. No Pará, a Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa) informa que o câncer de pulmão é um dos tumores malignos mais comuns e a incidência cresce 2% ao ano, segundo o Instituto Nacional do Câncer (Inca).  Em 90% dos casos, está associado ao consumo de derivados do tabaco. 

Dados do Departamento de Informática do Sistema Único de Saúde (Datasus) revelam que só em 2017, morreram, no Pará, 563 pessoas que desenvolveram câncer na traqueia, brônquios e pulmões, equivalente a 58 casos a mais dos óbitos ocorridos em 2016.

No ano passado, o número de internações de pacientes com câncer de pulmão chegou a 205, das quais 142 somente em Belém. E, nos cinco primeiros meses de 2019, alcançou 115 internações. 

No início de 2018, o Inca divulgou estimativa de 190 novos casos da doença em todo o Estado para os anos 2018 e 2019. 

PREVENÇÃO E TRATAMENTO GRATUITOS

No Pará, os serviços para a pessoa se prevenir do câncer obedecem a um fluxo de atendimento que se inicia na Unidade Básica de Saúde (UBS) mais próxima da residência do usuário do Sistema Único de Saúde (SUS).

Na UBS, um médico clínico generalista, diante de um diagnóstico suspeito, pode encaminhar o paciente ao centro de referência adequado para a definição de quadro clínico mediante realização de exames e biópsias.

Caso o diagnóstico indique tratamento oncológico, o paciente pode ser encaminhado para um dos cinco hospitais públicos de alta complexidade e referência em câncer disponíveis no Pará, como o Ophir Loyola, o Oncológico Infantil Octávio Lobo e Hospital Universitário Barros Barreto, em Belém; o Hospital Regional do Baixo Amazonas, em Santarém, e a Unidade de Alta Complexidade em Oncologia do Hospital Regional de Tucuruí. 
 

PARA PARAR DE FUMAR 

Algumas dicas para ajudar a largar o cigarro são estar motivado a sair do vício, pois não adianta a família mobilizar médicos e/ou investir se o paciente não estiver realmente determinado a parar de fumar. Além de diminuir gradativamente o número de cigarros, evitar carregar o maço ou a carteira de cigarro, evitar deixar cinzeiros em casa, evitar qualquer substância que possa estimular o fumo, tais como café e bebida alcoólica. E, durante a motivação, falar para as pessoas próximas que está tentando parar de fumar, afim de ajudar no policiamento e no controle.

As pessoas interessadas em parar de fumar no Pará devem procurar informações na unidade de saúde mais perto de sua casa a fim de obter informações sobre como usufruir do Programa de Controle do Tabagismo que é preconizado pelo Ministério da Saúde, sob orientação do Instituto Nacional do Câncer (Inca).

O programa não possui incentivo financeiro e o Inca disponibiliza manuais necessários nas quatro sessões de abordagem cognitivo comportamental e o Ministério da Saúde disponibiliza os medicamentos, como os adesivos de nicotina e a Bupropiona. 

Por sua vez, a Sespa mantém o Centro de Referência em Abordagem e Tratamento ao Fumante disponível para a população no térreo da Unidade de Referência Especializada (URE) da avenida Presidente Vargas, em Belém. No interior do Estado, o serviço funciona a partir da iniciativa de cada Secretaria Municipal de Saúde.

A Sespa oferece tratamento gratuito à pessoa que quer parar de fumar, atendendo cerca de 45 novos dependentes por mês. Em 16 anos, já foram atendidas mais de sete mil pessoas e outros cerca de cinco mil estão com matrícula ativa no serviço.

O procedimento inicia com os exames que vão identificar o quadro clínico e de tabagismo do paciente, segue com a sua admissão em um grupo com outros dependentes para uma abordagem cognitiva comportamental, que busca entender o porquê de ele se tornar fumante e os motivos pelos quais ele quer parar. Avaliados os níveis de dependência, eles podem ser tratados com medicamentos receitados ou com o TRN, a Terapia de Reposição de Nicotina.

Mais informações sobre o serviço: 3242-5645.

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