Carregando...
Ao Vivo
Carregando...
Tucuruí, 21 de October de 2021
Sistema Floresta
SBT Ao Vivo

Surtos de conjuntivite no Brasil surpreendem médicos e disparam buscas no Google

Por BBC
Publicado em 20 de abril de 2018 às 11:13H

Compartilhe:

Segundo levantamento da BBC Brasil, o número de casos de conjuntivite explodiu no início deste ano em pelo menos quatro Estados do país: Mato Grosso, Goiás, Minas Gerais e Pernambuco. Além disso, Salvador (BA), Fortaleza (CE) e Petrópolis (RJ) registraram números muito acima do normal para esta época do ano.

A extensão do surto de conjuntivite de 2018 pode ser ainda maior. Não há dados consolidados de todo o Brasil, porque os Estados não são obrigados a notificar surtos de conjuntivite para o Ministério da Saúde. Em alguns casos, nem os Estados têm dados agregados dos municípios. Além disso, não há padronização dos dados entre as diferentes regiões do país e há uma dificuldade de comparação com anos anteriores.

Confrontados com os surtos em suas cidades, os brasileiros correram para o Google em busca de respostas, gerando uma explosão inédita na procura pelo termo “conjuntivite” (veja mais à frente na reportagem algumas das dúvidas principais e o que os médicos dizem a respeito). O interesse começou a crescer em fevereiro e atingiu o auge em março. A partir de abril, passou a diminuir. Antes disso, apenas um pico tinha sido registrado no Google, em 2011, mas em intensidade bem menor do que o atual.

Como a conjuntivite é uma doença simples, autoridades de saúde pública ouvidas pela BBC Brasil dizem que não há motivo de preocupação. O ciclo da doença costuma durar de 5 a 7 dias e, na maioria das vezes, não há necessidade de uso de medicamentos e nem ocorrem complicações. Apesar disso, é preciso se afastar do trabalho, escola e transporte público nesse período, para evitar o contágio de outras pessoas.

O que causou o surto de conjuntivite de 2018?

O aumento de casos de conjuntivite no verão é normal. O anormal é um crescimento como o visto em 2018.

Médicos e autoridades de saúde pública ouvidos pela BBC Brasil não souberam explicar o que aconteceu. Há quem diga que é só um surto mais forte e que pode ocorrer periodicamente, quem acredite que possa ter relação com mudanças no clima ou até especule que esteja ligada ao fato do carnaval ter durado mais tempo em 2018 (assim, as pessoas teriam ficado aglomeradas por mais tempo, facilitando o contágio).

“O Ministério da Saúde esclarece que surtos de conjuntivite são comuns no verão e tem a transmissibilidade facilitada quando ocorrem grandes aglomerados de pessoas. A implementação de medidas e prevenção e controle da conjuntivite no âmbito individual e coletivo é importante para a interrupção da cadeia de transmissão da doença”, afirmou o órgão, por nota.

Também não se sabe se o vírus da conjuntivite de 2018 é diferente dos anteriores. “Seria interessante identificar qual vírus está causando (o surto), fazer uma investigação epidemiológica”, fala Ivan Paiva, coordenador dos serviços de urgência e emergência na rede pública de Salvador.

Na capital baiana, as 14 unidades de pronto-atendimento da rede pública viram os casos explodirem de uma semana para outra. Em 8 de fevereiro, eram 50 casos por dia. Em 14 fevereiro, 200. Em 12 de março, 1 mil pacientes. Agora, em abril, o patamar voltou para 200 casos por dia. “No ano passado, no pico, atendíamos no máximo 50 pacientes por dia”, fala Paiva.

O registro de pesquisas no Google mostra também uma busca associada dos termos “conjuntivite” e “zika” – a primeira pode ser um dos sintomas da segunda. Mas, segundo as fontes consultadas pela BBC Brasil, o surto de conjuntivite de 2018 não tem relação com a zika.

“O aumento de casos de conjuntivite registrado no país no início deste ano não têm relação com o zika vírus, pois como mostram os dados, até 24 de fevereiro deste ano, foram registrados 1,2 mil casos prováveis de doença (zika) em todo país, uma redução de 80% em relação ao mesmo período de 2017”. Além de conjuntivite, a zika tem outros sintomas, como febre moderada, dores musculares e nas articulações.

Ao vivo
Floresta 104,7MHz
Carregando...

Send this to a friend