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Pesquisa mostra que maioria quer que vacina para Covid seja obrigatória

Por Dol
Publicado em 16 de outubro de 2020 às 14:32H

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No Brasil, há vários testes de vacina contra a doença e duas estão em pesquisas avançadas | Peter Ilicciev/FioCruz

Mais de 70% da população de quatro grandes capitais do país se declara favorável à obrigatoriedade da vacinação contra a Covid-19 uma vez que um imunizante seguro e eficaz esteja disponível, mostra pesquisa do Datafolha em São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Recife. Nessas cidades, ao menos 75% dos entrevistados afirmaram que pretendem se vacinar tão logo seja possível.

O apoio à vacinação e à obrigatoriedade é majoritário em todos os estratos identificados pela pesquisa, que ouviu 1.092 eleitores a partir de 16 anos na capital paulista, 900 na fluminense, 800 na mineira e 800 na pernambucana nos dias 5 e 6 de outubro. A margem de erro é de três pontos percentuais em todos os casos. O índice mais alto daqueles que declaram pretender se vacinar foi registrado em Belo Horizonte, onde 81% dos entrevistados manifestaram a intenção, patamar similar o do Rio (80%) e de São Paulo (79%) e superior ao do Recife (75%). Os que afirmam que não vão se vacinar oscilam de 15% a 20% conforme a cidade.

Já a obrigatoriedade encontrou maior apoio dos cariocas (77%) e dos belo-horizontinos (76%), e aderência pouco menor entre recifenses (73%) e paulistanos (72%) –com estes últimos, a rejeição à obrigatoriedade bate em 27%.

Esta é a primeira vez que o Datafolha aborda a questão, levantada pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido) em 31 de agosto quando uma simpatizante o interpelou com críticas ao imunizante e ele respondeu que “ninguém pode obrigar ninguém a tomar vacina”, mensagem reforçada depois por seu governo. Lei sancionada em fevereiro, contudo, prevê a possibilidade de vacinação compulsória.

Em pesquisa nacional Datafolha feita por telefone nos dias 11 e 12 de agosto com 2.065 brasileiros em todas as regiões e margem de erro de dois pontos percentuais, 89% afirmaram que pretendiam se vacinar contra a Covid-19 quando houvesse imunizante disponível, e apenas 9% recusavam uma eventual vacina. Embora sirvam de referência, os dados não podem ser comparados diretamente por terem amostragens distintas.

SOLUÇÃO

Ainda sem haver remédio que possa curar a Covid-19, a vacina é vista como única solução para estancar uma pandemia que já matou 1,07 milhão de pessoas no mundo, segundo dados compilados pela Universidade Johns Hopkins (EUA), e mais de 150 mil no Brasil, além de ter infectado ao menos 36,8 milhões de pessoas no planeta desde que foi identificada, em dezembro –o número é considerado subestimado, dada a insuficiência de testes.

No entanto, nenhum imunizante contra a Covid está disponível para a população. Até o início deste mês, dez candidatas a vacina no mundo estavam na terceira e última fase de testes clínicos, com dezenas de outras nas fases 1 e 2. As previsões mais otimistas são de que as campanhas possam começar, com grupos de risco, em dezembro. Mas a vacinação de populações inteiras pode levar mais alguns meses.

Apesar do apoio maciço manifestados pelos eleitores das quatro capitais brasileiras à vacinação, há nuances. No Rio e em São Paulo, por exemplo, a intenção de se vacinar é mais alta entre os homens (82% e 81%, respectivamente, ante 77% e 71% entre as mulheres), enquanto em Belo Horizonte são elas que mostram mais interesse (83%, ante 80%). Todos esses resultados, porém, ficam dentro da margem de erro, alargada quando se observa um estrato específico.

Aqueles com renda familiar acima de 10 salários mínimos mostram menos predisposição para a vacina do que os que têm renda de até 2 salários em Belo Horizonte, Recife e São Paulo, onde as diferenças entre os dois grupos são, respectivamente, de 8, 11 e 11 pontos (todas na margem de erro). No Rio, entretanto, os mais ricos são os que mais aguardam a vacina: 90%, ante 77% dos mais pobres.

Já a escolaridade parece ter peso apenas em São Paulo e Rio, em sentidos inversos: a adesão à vacina é maior entre os que têm curso superior por margem de 8 pontos sobre os que têm só o ensino fundamental no Rio, e menor por margem de 6 pontos em São Paulo (desta vez, fora da margem de erro no primeiro caso e no limite no segundo). Ironicamente, os mais novos, que têm de 16 a 24 anos, se mostram mais dispostos a se vacinar do que aqueles com mais de 60 anos –justamente a faixa mais afetada pela Covid-19– por diferenças que vão de 6 pontos (no Rio e em BH, dentro da margem de erro) a 15 (em Recife; em São Paulo o salto é de 10 pontos, ambos fora da margem).

Vacinas

No Brasil, as vacinas mais próximas do uso em massa são a CoronaVac, desenvolvida pela chinesa Sinovac e testada em consórcio com o Instituto Butantan, em São Paulo, e a vacina de Oxford, criada pela farmacêutica AstraZeneca com a universidade britânica a qual lhe empresta o nome e que no Brasil tem como parceira a Fiocruz.

Brasil passa de 5,1 milhões de casos de coronavírus e o Pará tem queda em mortalidade

O Brasil passou de 5,1 milhões de casos de coronavírus e se aproxima de151 mil mortes nesta segunda-feira (12). Nas últimas 24h foram registrados 8.624 novos casos da doença e 203 mortes. No total, o país registra 5.102.603 testes positivos e 150.709 vítimas da Covid-19 desde o início da pandemia.

Os dados são fruto de colaboração inédita entre Folha de S.Paulo, UOL, O Estado de S. Paulo, Extra, O Globo e G1 para reunir e divulgar os números relativos à pandemia do novo coronavírus. As informações são coletadas diretamente com as Secretarias de Saúde estaduais.

Nos finais de semana e nas segundas-feiras, os números do consórcio costumam ser mais baixos por causa de atrasos de notificações nas secretarias.

Além dos dados diários do consórcio, a Folha de S.Paulo também mostra a chamada média móvel. O recurso estatístico busca dar uma visão melhor da evolução da doença, pois atenua números isolados que fujam do padrão. A média móvel é calculada somando o resultado dos últimos sete dias, dividindo por sete.

De acordo com os dados coletados até as 20h, a média de mortes nos últimos sete dias é de 562, o que representa uma queda de 18% em relação à média de 14 dias atrás, embora o índice ainda se mantenha em patamares elevados.

Todas as regiões do país apresentaram queda na média móvel, menos o Sudeste. Mas o único estado que teve aumento foi o Piauí (21%).

Estão com a média móvel de mortes estável o Acre, Alagoas, Amazonas, Distrito Federal, Maranhão, Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo e Sergipe.

Já os estados que tiveram queda foram Amapá, Bahia, Ceará, Espirito Santo, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Pará, Paraíba Paraná, Pernambuco, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Roraima, Rondônia, Santa Catarina e Tocantins.

PARÁ

No boletim divulgado ontem (12), a Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa) confirmou mais quatro novos casos de coronavírus cadastrados ontem e nenhum óbito causado pela doença nos últimos sete dias. Em relação à subnotificação das prefeituras, foram confirmados mais 34 casos e uma morte ocorridos em dias anteriores. Agora, o Estado tem 237.996 casos e 6.657 óbitos por covid-19.

Estados Unidos têm o primeiro caso confirmado de reinfecção pelo coronavírus

Cientistas americanos divulgaram o primeiro caso confirmado de reinfecção de Covid-19 nos Estados Unidos. O estudo de caso foi publicado na noite desta segunda-feira (12) na revista científica The Lancet. O caso aconteceu no estado de Nevada e foi investigado por pesquisadores da Universidade de Nevada, do Instituto de Medicina Personalizada e do Laboratório de Saúde Pública. Além de Nevada, outros casos de reinfecção do Sars-CoV-2 foram confirmados em Hong Kong, Bélgica e Equador. Um quinto caso, ainda sem confirmação formal, foi reportado na Holanda.

Para confirmar a reinfecção, os cientistas sequenciaram o material genético do Sars-CoV-2 colhido do mesmo indivíduo em cada uma das infecções e viram que se tratava de cepas distintas. O paciente, um homem de 25 anos, apresentou sintomas gripais compatíveis com a doença -dor de garganta e de cabeça, tosse- no final de março e teve a confirmação de Covid-19 por meio do exame RT-PCR em abril. O exame é considerado padrão ouro para verificar se a pessoa está infectada. Um novo exame realizado no dia 9 de maio comprovou o fim da infecção. No dia 26 de maio, outro teste RT-PCR foi feito para verificar que o vírus não estava mais em seu organismo, e o resultado foi negativo.

O paciente, porém, voltou a apresentar sintomas no dia 31 de maio, e foi a um hospital com febre, diarreia, náusea e tosse. Após uma análise de radiografia do pulmão, o paciente foi liberado para casa. Cinco dias depois, o homem buscou novamente ajuda médica, dessa vez com quadro de hipóxia (falta de ar), e foi encaminhado a um serviço de urgência.

A segunda infecção, confirmada por outro exame RT-PCR em 5 de junho, foi bem mais violenta, com hospitalização, necessidade de suporte de oxigênio e danos ao pulmão. O paciente se recuperou em 6 de junho. Nessa mesma data, um exame sorológico confirmou a presença de anticorpos IgM e IgG para o Sars-CoV-2. Com as duas amostras de “swab” (aquele cotonete usado em exames) em mãos, chamadas A e B, os pesquisadores sequenciaram o material genético do vírus. Os dois vírus são da mesma linhagem, chamado clado 20C, que corresponde à quase totalidade de vírus isolados no estado de Nevada.

Comparando as amostras com outras do clado 20C e com uma sequência vinda de Wuhan -sequência “zero”-, os pesquisadores obtiveram uma árvore evolutiva das amostras e viram que, embora do mesmo clado, elas possuem muitas diferenças genéticas. Entre as diferenças estavam pelo menos quatro mutações distintas na sequência da amostra A em relação à B, e sete mutações na sequência da amostra B em relação à A. Em outras palavras, os vírus podem ser classificados como duas linhagens diferentes com base nessas alterações na sequência do seu RNA viral. Os pesquisadores afirmam que outras hipóteses possíveis, como o vírus A da primeira infecção ter permanecido latente no organismo do homem por 48 dias e sofrido mutações, ou ainda a coinfecção pelas duas cepas diferentes, com uma infecção de cada vez, são pouco prováveis.

Na primeira hipótese, de evolução do vírus no organismo, isso implicaria em uma taxa de mutação do vírus quase quatro vezes maior do que a encontrada na natureza, o que é muito improvável, afirmam os autores. “É de enorme relevância a presença das quatro mutações entre as amostras A e B, que, se ocorressem no mesmo vírus, seriam um tipo de mutação [chamado reversão] ligado ao genótipo ancestral, algo com chances tão remotas que chegam a ser inexistentes.”

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