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A aceitação e nossa arte de enganar a dor

Por Floresta News
Publicado em 10 de maio de 2020 às 16:13H

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E então a epidemia se apresentou como um problema de todos nós. Não apenas de uma cidade no oriente, de uma região, de um Estado, ou de uma Nação. E a palavra pandemia passou a fazer parte do nosso dia a dia.

A necessidade do isolamento social em grande escala. Quem diria que àquilo que foram subjugados portadores de hanseníase em meados do século 20 (o isolamento, no caso deles em colônias, vilarejos) se aplicaria à todos os moradores do Globo, com o isolamento em nossas casas. Restringindo o contato com outras pessoas. Evitando aglomerações, com a ordem de só sair de casa se for extremamente necessário.

Mas o ficar em casa incomoda muita gente! O que fazer com tanto tempo ocioso? O que fazer com os pensamentos ruminantes, repetitivos, o que fazer neste confinamento? Que tédio! A gente estava tão acostumado a estar na rua que ficar em casa parece tortura. E aí, chegamos à conclusão de que não sabemos o que é uma verdadeira tortura! Chegamos à conclusão de que o mundo moderno nos tirou o prazer de estarmos em casa e aproveitarmos ao máximo o significado de lar, de morada, de aconchego, pois logo enjoamos esse marasmo.

É claro que existem pontos de vista divergentes. É obvio. E por isso ainda se vê tanta gente perambulando pelas ruas e contribuindo para a circulação do vírus. Aliás, tem gente que diz que a pandemia é culpa da esquerda, que é culpa da mídia, como se a esquerda ou a mídia injetassem o vírus na corrente sanguínea dos infectados pela Covid-19. Como se as covas coletivas fossem escavadas por ideologias divergentes e os corpos sepultados assassinados pelo volume de informações…

Nos momentos de crise a negação da realidade resulta, muitas vezes, por não se aceitar a súbita e brutal invasão dessa doença e da nossa incapacidade de controlar as coisas, querendo enganar a dor. É mais fácil negar os dados assustadores, negar as conclusões científicas e, simplesmente, negar tudo isso.

O momento atual não deixa de ser uma espécie de seleção natural, como disse um amigo na semana passada: “Hoje, todos sabem que o isolamento é importante para reduzir a propagação do vírus, mas nem todo mundo quer se isolar.
Muitos querem voltar à rotina, trabalhar, produzir, tocar em frente, apesar da curva crescente com o número de infectados. É um direito de cada um (o livre arbítrio)”.

O que pode acontecer? Aumentar o contágio? Prolongar o tempo de novas contaminações e a duração da pandemia?
Superlotar ainda mais os leitos de hospitais? Morrer muito mais gente, não apenas aqueles que não querem se precaver, bem como aqueles próximos a eles (no Brasil são mais de 10 mil mortes em apenas dois meses de pandemia)? Sim. Isso tudo é possível.

Quem vai sobreviver, dos mais de 7 bilhões de humanos habitando o planeta terra no ano de 2020? Quantos sobreviverão a tudo isso?

Bom, para essas dúvidas, somente os livros de história poderão relatar no futuro aquilo que está sendo escrito hoje por cada um de nós.

(Por Marcelo Bulhões – 10.05.2020)

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