Por Floresta News
Publicado em 08 de maio de 2026 às 08:57H

Com mais de 800 mil hectares nas Flotas do Paru e Iriri, Estado atinge a marca de 1,5 milhão de hectares concedidos e assume a liderança nacional do setor
O Pará consolidou mais um marco histórico para a proteção ambiental brasileira ao publicar, no Diário Oficial do Estado (DOE), o resultado preliminar da maior concessão para manejo florestal sustentável já realizada no País. O processo, liderado pelo governo do Pará, por meio do Instituto de Desenvolvimento Florestal e da Biodiversidade (Ideflor-Bio), contempla mais de 800 mil de hectares distribuídos entre as Florestas Estaduais (Flotas) do Paru, na região Oeste, e do Iriri, no Sudoeste paraense.
A iniciativa representa um novo patamar para a gestão de florestas públicas no Brasil, fortalecendo o uso sustentável dos recursos naturais como ferramenta de conservação ambiental, geração de emprego e desenvolvimento regional. Com a conclusão do certame, o Pará passa a liderar nacionalmente o setor de concessões florestais, chegando ao total de 1,5 milhão de hectares concedidos para manejo sustentável.
O resultado preliminar divulgado pela Comissão Especial de Licitação do Ideflor-Bio definiu as empresas vencedoras para seis Unidades de Manejo Florestal (UMFs). Na Flota do Paru, a empresa Arapua Florestal Ltda venceu as UMFs VIa e VIIIa; a MCS Agroflorestal e Construção Civil Ltda ficou com a UMF X; e a TMBR Serviços Florestais Eireli venceu a UMF XI. Já na Flota do Iriri, a Cichelero Indústria, Comércio e Exportação de Madeiras Ltda venceu a UMF I, enquanto a Curua Florestal Ltda conquistou a UMF II.
Dimensões – As áreas concedidas estão localizadas em duas das mais importantes florestas públicas do Pará. A Flota do Paru possui extensão total de três milhões de hectares, com parte destinada ao manejo sustentável. Já a Flota do Iriri ocupa cerca de 440 mil hectares, também com parcelas incluídas no projeto. Somadas, as duas unidades ampliam em mais de 120% a área concedida anteriormente no Estado.
O certame reuniu 15 empresas participantes e foi estruturado pelo Ideflor-Bio com apoio técnico do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). O modelo adotado prevê o manejo sustentável de produtos madeireiros, não madeireiros e serviços florestais, aliando proteção ambiental, estímulo à economia local e fortalecimento das comunidades do entorno.
Referência nacional – Segundo o presidente do Ideflor-Bio, Nilson Pinto, o avanço demonstra a retomada de uma política pública estratégica para a Amazônia. “O Pará reafirma seu compromisso com a floresta em pé e com o desenvolvimento sustentável. Em poucos anos, conseguimos transformar a realidade das concessões florestais no Estado, triplicando a área concedida e consolidando o Pará como referência nacional em manejo responsável”, destacou.
Nilson Pinto também lembrou que, em 2023, o Estado possuía cerca de 465 mil hectares já concedidos e enfrentava dificuldades para concluir novos processos licitatórios. Desde então, a atual gestão reposicionou as concessões florestais como prioridade institucional, resultando agora em um salto expressivo para 1,5 milhão de hectares ao final do processo em curso.
Protagonismo feminino – A diretora de Gestão de Florestas Públicas de Produção do Ideflor-Bio, Ana Cláudia Simoneti, ressaltou a dimensão histórica do projeto e o papel das mulheres em todas as etapas do trabalho. “É um orgulho enorme ver o Estado do Pará fazer história com a realização da maior licitação em área concedida de uma só vez para manejo florestal sustentável. Mais orgulho ainda é constatar o protagonismo feminino desde a estruturação técnica até a Comissão Especial de Licitação, composta exclusivamente por mulheres”, afirmou.
Durante a elaboração do modelo de concessão, o governo do Pará também promoveu diálogo com comunidades locais, conselheiros das unidades de conservação, povos indígenas e trabalhadores tradicionais, como castanheiros. Reuniões públicas e consultas permitiram o recebimento de dezenas de contribuições, parte delas incorporadas ao processo final.
Nilson Pinto finaliza ressaltando que o Pará fortalece sua posição de liderança nacional na agenda florestal sustentável e demonstra que conservação e desenvolvimento podem caminhar juntos, com a nova etapa. “O manejo florestal legal e planejado surge, assim, como instrumento decisivo para proteger a biodiversidade, combater a exploração irregular e gerar oportunidades econômicas duradouras para a população amazônica”, conclui o presidente do Ideflor-Bio.