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Tucuruí, 08 de July de 2026
Sistema Floresta

Marco histórico na inclusão: Campus Tucuruí forma primeiro estudante surdo em curso superior do IFPA

Por Floresta News
Publicado em 08 de julho de 2026 às 08:41H

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O Instituto Federal do Pará (IFPA), Campus Tucuruí, alcançou um marco em sua trajetória ao formar o primeiro estudante surdo em um curso de nível superior da instituição. Igor Wenceslau Machado Conceição concluiu a graduação em Ciências da Computação após defender, no mês de março deste ano, o Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) intitulado “Ensino da lógica de programação: material didático para surdos com Libras e QR Code”.

Natural de Tucuruí (PA), Igor estudou durante toda a educação básica em escolas públicas. Ao longo desse período, enfrentou desafios relacionados à falta de intérpretes de Libras e ao preconceito quanto à capacidade de aprendizagem de pessoas surdas. “Minha mãe relatava que alguns professores diziam que eu nunca aprenderia por ser surdo”, recorda. Apesar das dificuldades, ele destaca que sempre contou com o apoio da família para seguir estudando.



Ao ingressar no IFPA Campus Tucuruí, Igor encontrou um novo desafio: adaptar-se ao curso de Ciências da Computação e à rotina acadêmica. Ele conta que chegou à instituição feliz pela oportunidade, mas também com medo e ansiedade diante das incertezas sobre como superaria as dificuldades da graduação. No início, a comunicação com os colegas foi uma das principais barreiras. A situação começou a mudar quando o professor Alex de Oliveira organizou uma oficina de Libras com conceitos básicos para os estudantes da turma.

Segundo Igor, essa iniciativa fez a diferença para a sua integração. “Notei meus conhecimentos sendo aprimorados. Tive dificuldades, sim, mas elas serviram para me fortalecer!”



A Pesquisa nasceu da própria experiência acadêmica

Durante a graduação, Igor percebeu que muitos termos técnicos da área de Computação não possuíam sinais estabelecidos em Libras, o que dificultava a compreensão dos conteúdos, “pois não existe ou não existia um sinal para determinados vocábulos e, para conseguir entendê-los, a intérprete de Libras perguntava ao professor a função deles e, então, eu criava o sinal na hora se esse não existisse ainda”.

Foi justamente dessa vivência que surgiu o tema de seu Trabalho de Conclusão de Curso, orientado pelo professor Douglas Bechara. O material desenvolvido reúne recursos em Libras e QR Codes para facilitar o ensino da lógica de programação a estudantes surdos. “Com este material elaborado durante a formulação do meu trabalho, outros alunos surdos terão oportunidade de compreender de forma objetiva os conceitos de determinados termos. É um material produzido para atender alunos surdos que posteriormente irão ingressar no ensino médio integrado, subsequente ou na graduação. Um material exclusivo para consulta do Curso de Informática”, explica.


Professor do curso de Ciências da Computação, Alex de Oliveira acompanhou a trajetória acadêmica de Igor durante a graduação e destaca o compromisso demonstrado pelo estudante ao longo da formação. Para o docente, a pesquisa representa uma importante contribuição para a inclusão no ensino. “Trata-se de uma entrega com alto valor agregado, que emerge de uma demanda concreta vivenciada pelo próprio autor e se materializa como uma solução estruturada para ampliar o acesso ao ensino de Lógica de Programação para a comunidade surda. É um projeto que transcende o escopo acadêmico e se posiciona como um ativo educacional inclusivo, com potencial de escalabilidade e impacto contínuo”, afirma.

Após concluir a graduação, Igor ingressou no curso de Mestrado em Computação Aplicada e atualmente atua como desenvolvedor web full stack. Ao olhar para sua trajetória, ele deixa uma mensagem de incentivo para outros estudantes surdos interessados na área da Tecnologia da Informação. “Quero deixar um recado à comunidade, em especial aos surdos que se interessam na área de TI. Hoje sou mestrando, pois busco me profissionalizar nesta área. Fica meu convite a vocês que desejam seguir nessa área, seja [nos cursos] integrados, subsequentes ou na graduação… o mercado de trabalho precisa de profissionais que desenvolvam, e o IFPA concede essa chance de você ter uma profissão. Hoje, eu já trabalho como desenvolvedor web front-end back-end (full stack) e sinto-me honrando em ser o primeiro surdo da minha cidade a ingressar nesse cenário”, conclui.

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